Situação do País irá influir no pleito municipal


Os sinais cada dia mais claros de um agravamento na crise político-econômica que atinge o País fazem com que aumente a preocupação dos políticos com as eleições municipais do próximo ano. O ponto mais nevrálgico da questão ainda é a dificuldade na obtenção dos recursos necessários para uma campanha à altura das expectativas do eleitor. E se já não bastassem as dificuldades naturais provocadas pela falta de dinheiro num momento em que a economia dá sinais claros de recessão e desemprego, existe ainda de parte dos empresários o temor natural do envolvimento com campanhas eleitorais quando a classe política está cada dia mais distante do prestígio de tempos passados. Pior que isso: há o medo do envolvimento do nome com alguma irregularidade que, porventura, o candidato venha a cometer durante a campanha ou na prestação de contas. No outro extremo da questão, para os candidatos surgem os custos elevados do programas a serem exibidos no horário eleitoral, indispensáveis a um trabalho de tiro curto como será a disputa do próximo ano. E o peso inevitável da desconfiança e do desalento do eleitorado com os políticos, que podem acabar transformando a futura eleição em recordista de votos nulos, brancos e abstenções.  “O perfil mais limpo, menos poluído, tende a ser contraponto às figuras messiânicas. O asséptico é, geralmente, um perfil que vem de fora da política tradicional, tem meia idade, não é carcomido pelos escândalos e, em suas veias, ainda corre sangue puro. Inovadores, bons administradores, são os tipos que podem elevar a campanha eleitoral de 2016”, afirma o consultor político Gaudêncio Torquato, de inquestionável competência. Ele também alerta para os riscos do chamado efeito dominó: “A imagem é conhecida. A primeira pedra do dominó, colocada em pé, derruba a segunda, que derruba a terceira, que derruba a quarta e assim por diante. Pode ser que, por algum desvio de rota (não estão emparelhadas), uma pedra deixe de cair, segurando as seguintes em pé. Regra geral, porém, boa parte das pedras do dominó tende a cair em 2016. E a primeira pedra é a Federal. As outras são das esferas estaduais e municipais. Leitura: a crise econômica que assola o país baterá nas pedrinhas municipais. A conferir”, diz ele.

COTIDIANO

A coruja buraqueira é flagrada em meio ao terreno preparado para receber o plantio de verduras, no Bairro do Cocuera, perto do Lago Azul / Foto: Eisner Soares

FRASE

Fiquei decepcionado, pois, apesar das revelações da Operação Lava Jato, não assisti a uma resposta das instituições, como o Congresso e o governo. Não tivemos respostas.

Sérgio Moro, juiz de Direito, sobre os desdobramentos da Operação Lava Jato