FAUNA

Só em janeiro, Zoonoses de Mogi resgatou 13 animais silvestres

Pássaro conhecido em um condomínio de Mogi das Cruzes, um tucano-de-bico-verde era acostumado a ir comer nas casas dos moradores e permitia até que eles se aproximassem dele. Mas no dia 16 de janeiro, ele foi encontrado por um dos moradores em um jardim com as penas das asas cortadas. Após ser resgatado pelo veterinário Jefferson Leite, foi encaminhado ao Cras Pet para continuar o tratamento.

A localização de Mogi das Cruzes em meio às serras do Itapeti e do Mar proporciona à cidade um clima de interior, mesmo estando a 50 quilômetros da capital paulista. Este é um dos fatores que têm atraído novos empreendimentos de moradia à cidade. No entanto, enquanto o concreto avança, os habitantes dessas matas começam a perder o seu espaço. Só no mês de janeiro, o veterinário Jefferson Renan de Araújo Leite atendeu 13 animais silvestres machucados na Cidade, seja por acidente ou por intervenção do homem. (conheça alguns nesta página)

“Com o aumento da malha viária na cidade, que geralmente corta essas matas ao meio, quando eles vão fazer a travessia, acontecem muitos acidentes. Esse tem sido um problema. Além disso, há as invasões de áreas, que fazem com que os animais saiam em busca de outro habitat. Em menor volume, mas também acontece, tem os animais feridos pelos homens”, conta o veterinário.

Uma solução mais em caráter reativo para cuidar dessas espécies é a criação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres. Atualmente, na maior parte dos casos, os animais recebem apenas o primeiro atendimento no Centro de Controle de Zoonoses e depois são encaminhados ao Centro de Recuperação de Animais Silvestres do Parque Estadual do Tietê (Cras Pet).

“Nós já realizados diversas reuniões sobre este assunto, chegamos inclusive a nos reunir com o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) para propor que o equipamento fosse regional, já que há esse problema na maior parte das cidades, mas o assunto ainda não caminhou muito”, conta Leite.

O tema já chegou a ganhar um projeto com área de recepção e triagem dos animais, clínica médica para os primeiros atendimentos, centro cirúrgico destinado a cirurgias de rotina, espaços para internação e quarentena, além de cozinha, depósito para medicamentos, alimentos e equipamentos de captura.

O estudo previa 430 m² de área construída. Um investimento calculado em cerca de R$ 650 mil, mais R$ 200 mil para compras de equipamentos. Com uma estrutura mínima de dois veterinários, dois biólogos, auxiliares de limpeza e vigias, para funcionar 24 horas por dia, o setor foi orçado para consumir em torno de R$ 40 mil/mês.