EDITORIAL

Só piora

A Polícia Civil encolhe e centraliza o atendimento em uma delegacia, enquanto a cidade ganha novos bairros e distritos

A redução do atendimento na delegacia do Distrito de Braz Cubas é mais um forte baque na estrutura da Polícia Civil de Mogi das Cruzes, que vem sofrendo, não é de agora, um progressivo processo de desmonte e precarização do atendimento ao público e das condições de trabalho de delegados e escrivães.

O 2º Distrito Policial (DP) está atendendo de segunda à sexta-feira, das 9 às 19 horas, e ficará fechado aos finais de semana. Antes, a unidade funcionava 24 horas.

Com a medida, esta delegacia praticamente se iguala às existentes nos distritos de Jundiapeba e César de Souza, que também ficam fechadas à noite e finais de semana.

Dissemos praticamente porque há uma tentativa de se maquiar a realidade que será enfrentado pelos moradores da região de Braz Cubas e de Jundiapeba. Uma “inovação” administrativa passou a vigorar. Uma campainha foi instalada na porta de entrada do 2º DP e um funcionário, segundo assegura o delegado Jorge Luis Neves Esteves, ficará no local apenas para informar as pessoas que elas precisarão ir ao 1º DP, no Parque Monte Líbano, para fazer queixas e/ou registrar boletins de ocorrência. Se for só para informar, mais eficiente seria manter uma gravação. Se o funcionário não vai atender o cidadão, que diferença fará?

Sobre todos os aspectos, a restrição do atendimento público penaliza o morador e a cidade. Ao invés de se ampliar a atenção à população, o Governo do Estado precariza atendimento e contribui, na verdade, com a subnotificação dos crimes. Apenas os casos mais simples são registrados pela internet. E muitas pessoas não notificam os crimes justamente pela demora no atendimento nos Distritos Policiais. É um contrassenso. A Polícia Civil encolhe e centraliza o plantão em apenas uma delegacia, enquanto a cidade ganha novos bairros e distritos.

Se já não bastasse a falta de delegados, investigadores e escrivães, a Polícia Civil descamba para um caminho perigosíssimo. Das condições de atendimento das delegacias, depende o fechamento do círculo de ações para combater o crime, que começa com o primeiro acolhimento a quem tem algum direito violado, a vítima, as chances de uma prisão em flagrante, a resolutividade dos casos, e algo crucial, mas desconsiderado por quem está à frente do desaparelhamento policial: o diálogo e a integração entre as forças de segurança pública e a comunidade.

Ao distanciar ainda mais a Polícia Civil do cidadão, o Governo do Estado desmotiva e pressiona o servidor público, fortalece as organizações criminosas e piora o acesso das pessoas às estruturas de segurança pública.