Sobe em 200% número de adeptos ao Uber em Mogi, diz motorista

Número de motoristas vinculados ao aplicativo também aumentou. (Foto: Danilo Sans)
Número de motoristas vinculados ao aplicativo também aumentou. (Foto: Danilo Sans)

NATAN LIRA
A demanda de passageiros utilizando o Uber como meio de transporte aumentou em 200% nos últimos cinco meses, em Mogi das Cruzes, segundo o motorista vinculado ao aplicativo, Geovane Ricardo de Mello, de 45 anos. Ele estima que hoje a Cidade tenha 200 veículos ligados à empresa atendendo aos mogianos. Na contramão, o Sindicato dos Taxistas Autônomos de Mogi das Cruzes e Região afirma que o movimento nos pontos de táxi caiu cerca de 70%, com a crise econômica e a vinda do novo serviço à Cidade.

Geovane começou a trabalhar como motorista quando estava desempregado e com dificuldade de recolocação no mercado de trabalho. Há cinco meses, ele realizava, em média, 10 corridas por dia. Hoje, termina o dia com 30 atendimentos. “Recebo muitos elogios da população, porque o horário é certinho e o preço é bom. Acredito que Câmara Municipal e Prefeitura não vão contra o serviço que a população abraçou. Em breve, estaremos regularizados na Cidade”, aposta.

O Sindicato dos Taxistas prepara um aplicativo para facilitar o contato com os passageiros em Mogi, mas deve divulgá-lo só após uma decisão da Prefeitura sobre o Uber na Cidade. “Não podemos pagar pela manutenção desta tecnologia agora que o movimento caiu. Estamos esperando um momento de concorrência igual, que nos permita arcar com os custos”, explica o presidente do Sindicato, Sandro Monfort, 46.

A fotógrafa Mayara de Pádua, 22, passou a utilizar o serviço desde que ele chegou à Cidade. “A começar pelo preço do táxi que é mais caro e muitos em que andei o motorista era mal educado. Alguns, nem oi me davam e não informavam quanto, em média, ficaria a corrida. Já aqueles do Uber são sempre educados e quando está muito calor não cobram para ligar o ar e ainda dão água gelada”, pontua.

A estudante de Direito Carolina Corrêa, 24, e o protético Leandro Pereira, 23, andaram poucas vezes de táxi, mas utilizam bastante a nova opção de transporte individual, principalmente pelo preço. “Uso porque é extremamente mais barato, mais rápido e eu sei que vai ser, digamos, confortável, pelo ar-condicionado, bala, água e até wi-fi”, conta ela. “Eles não cobram para vir me buscar, o carro sempre está próximo, os motoristas são educados e fica mais em conta do que com táxi”, avalia Pereira.

Para a jornalista Maria Salas, 37, o passageiro do Uber é um ex-usuário do transporte público. “Eu não tinha o hábito de usar táxi e hoje uso Uber porque ele me busca em casa e me deixa no meu destino por um preço justo”, enfatiza.

Mas por se tratar de um meio de transporte mais tradicional, muitos utilizam os táxis. Este é o caso da assessora parlamentar Cristina Guerra, 54. “Uso há muito tempo e já tenho os taxistas de confiança. Não pretendo mudar porque estou satisfeita com os serviços”, pontua.

Segundo Monfort, o serviço de táxi na Cidade melhorou após a chegada do Uber, principalmente com os motoristas que se negavam a fazer corridas de pequeno trajeto. “No passado, havia muito esta situação, mas de certa forma, esta concorrência melhorou o atendimento dos taxistas. Era só a gente, agora tem outra opção ao usuário e vários erros que eram cometidos não se repetem hoje”, diz.

Câmara deve discutir regulamentação do serviço
Com o aumento na utilização do Uber em Mogi cresce também o debate em torno da regulamentação da categoria. Em outubro de 2016, o vereador Chico Bezerra (PSB) apresentou projeto de lei para tornar mais rígidas as punições contra motoristas vinculados ao aplicativo na Cidade. O projeto acendeu a discussão no Legislativo, mas foi interrompida por conta das eleições municipais. Segundo o vereador Caio Cunha (PV), o assunto voltará ao plenário nas primeiras sessões do ano. “Fiz um fórum nas redes sociais para entender qual a opinião da população sobre o Uber. De 560 comentários, não chegou a 10 os que eram contra”, pontua.

Presidente do Sindicato dos Taxistas em Mogi, Sandro Monfort, de 46 anos, diz não ser contrário ao novo serviço na Cidade, mas que ele aconteça de forma legal, para os taxistas terem chance de concorrer de forma igualitária. “No ano passado, paguei em média R$ 2,1 mil com impostos municipais e outros tributos para poder trabalhar com o táxi. Se eles tivessem de arcar com estas despesas, a concorrência seria leal, poderíamos ajustar a cobrança”, avalia.

Caio diz ter sido procurado por motoristas vinculados ao aplicativo que buscam regularizar o serviço. “Na época, eles eram em 80. O número deve ter crescido porque também tem bastante deles que vêm das cidades vizinhas atuar aqui”, explica. Segundo Monfort, a vinda de carros dos outros municípios para Mogi ocorre nos dias em que eles são proibidos de rodar na Capital por conta do rodízio de veículos. “Eles vêm, recebem pelo serviço e vão embora sem pagar qualquer imposto ao Município”, explica.

Entre os dias 3 e 4 de agosto do ano passado, a Prefeitura multou oito motoristas. O Diário questionou se mantém a fiscalização contra os motoristas, mas a Prefeitura não respondeu. Já sobre a possível regularização, o Executivo informou que a Secretaria Municipal de Transportes ainda discutirá o assunto no âmbito da Cidade. “Temos em vista que o aplicativo Uber oferece um serviço ainda não regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro, porém que não está caracterizado como um serviço ilícito”, pontuou.

Procurada, a empresa Uber diz não se manifestar sobre processos de regulamentação. (N.L.)



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