EDITORIAL

Socorro ao campo

Um dos setores da economia mogiana mais achatado pela crise econômica, a agricultura sofre mais um duro baque com as fortes chuvas e a liberação do excesso de água armazenado nas barragens do Sistema Produtor Alto Tietê (Spat). Os produtores da região conhecida como Chácara dos Baianos, no Distrito de Jundiapeba, foram alguns dos mais penalizados pelo alagamento de grandes territórios conhecidos por projetar Mogi das Cruzes com a produção de hortaliças e maços de temperos, como a salsinha e a cebolinha.

Será lenta a recuperação dessas propriedades que dependerão da melhoria do tempo e do escoamento da água para fazer o replantio. Os agricultores perderão dinheiro duplamente, agora, no auge dos alagamentos, e no futuro próximo porque eles vão enfrentar a baixa dos preços. A maioria irá começar a trabalhar juntos, ou seja, quando começarem a colher, o mercado terá um excesso de produtos, o que muda condições de oferta e compra desses itens e, consequentemente, os preços.

Além da questão pontual vivida nesse momento por causa do grande volume de chuva, desde meados da semana passada, a agricultura já vinha sofrendo os revezes impostos por um verão marcado por altíssimas temperaturas, que afetam a qualidade e o ritmo das safras, principalmente das verduras, legumes e frutas produzidas sem técnicas mais apropriadas, como as estufas.

Ainda que detenha os bons referenciais de produção e pesquisa que garantem a manutenção do Cinturão Verde, Mogi das Cruzes e cidades da Região possuem uma boa parcela de produtores que seguem os tradicionais métodos de cultivo e serão os impactados pelas chuvas. Essas propriedades são de pequeno e médio porte, normalmente tocadas por núcleos familiares e alguns meeiros, os mais prejudicados pelas enchentes.

Os produtores de frutas e verduras estão novamente no meio de mais uma situação difícil, que já levou à redução de uma grande parte dos postos de trabalho e da área cultivada em Mogi das Cruzes. Junte a isso outras questões maiores como a falta de políticas de incentivos para a produção, pesquisa e a adoção de novas tecnologias no campo, e ainda a insatisfação do cliente. O consumidor tem cobrado cada vez mais pela qualidade dos produtos que vão para as gondolas dos supermercados sem o sabor esperado – aliás, muitos itens parecem que perderam todo o sabor. E eles são normalmente tocam pequenas e médias propriedades familiares.

O campo, mais do que nunca, precisa de socorro. E esse socorro significa investimentos, o desenvolvimento de ações que realmente incentivem a permanência das famílias no cultivo da terra.