CHICO ORNELLAS

Sua Ex.ª a leitora

MATRIZ – Em 1952, uma parte da Igreja Matriz desabou durante uma forte tempestade. Ela foi então toda demolida e começou a construção da nova catedral. Em 1957, quando esta foto foi tirada, estava em fase de acabamento. (Foto: Amândio Correia de Almeida)

Mogi de A a Z

Há 23 anos este espaço me permite, todos os domingos, celebrar uma prosa com o leitor. A primeira página foi publicada dia 10 de março de 1996. Desde então, este prosear nos leva a lembranças sempre marcantes. Pois acabo de receber e-mail enviado por Rafael de Almeida, contando-me que sua avó, Otília dos Anjos Nunes de Almeida guarda, com carinho, algumas fotos antigas de Mogi e pede para que eu as compartilhe.

Razão de ser desta página, dona Otília e seu beto Rafael são parte indissociável do grupo de leitores que dão vida ao jornalismo exercido.

RUA – Poucos sabem que o Largo da Matriz nem sempre foi unido ao Grupo Coronel Almeida: antes eram separados por uma travessa que ligava as ruas José Bonifácio e Paulo Frontim. Na foto, Otília dos Anjos Nunes de Almeida e esposo Amândio Correia de Almeida (então sócio proprietário da Padaria Central)
NORMALISTAS – Era o ano do quarto centenário de São Paulo (1954). O Ginásio do Estado (no prédio velho), onde hoje funciona a Pinacoteca, passou a ser Instituto de Educação Dr. Washington Luiz. Mas só vai para o prédio novo, na Rua Dom Antônio Cândido Alvarenga, após terminada a construção. Esta foto é da primeira turma que prestou vestibulinho para cursar o magistério na nova escola. Em pé atrás, da esquerda para a direita: 1º Cícero Yagima, 2º (??), 3º Elza Souza Rego, 4º Ilma Rodrigues, 5º Iadwa Halage, 6º Elcy Lopes Guedes, 7º Doroty Jungers, 8º Benedita A. Silva, 9º Otília dos Anjos Nunes de Almeida, 10º (??), 11º (??), 12º (??). Agachados: 1º Ariton Pessoa Cesar, 2º Odair Aparecida Camargo, 3º Clarice Jorge, 4º Inez L. Lunardi, 5º Ernesta Batani, 6º (??).

Carta a um amigo

Nos tempos de ‘tia’ Laura Garcia

Caro leitor

Em 1967 (52 anos atrás), Mogi das Cruzes tinha cerca de 130 mil habitantes, menos de um terço da população atual e apenas dois cursos superiores. A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da OMEC (atual Universidade de Mogi das Cruzes), que funcionava na Rua Senador Dantas, onde hoje está o Colégio Joanna D’Arc e a Faculdade de Direito Braz Cubas (atual Centro Universitário Braz Cubas), que funcionava no prédio da Rua Francisco Franco. Sabe-se lá por quais motivos, o movimento estudantil corria quente apenas para os lados do Direito. Era ali que as maiores manifestações ocorriam, por conta o Diretório Acadêmico 1º de Setembro. Como presidente tinha, em 66 e 67, Eduardo Augusto Malta Moreira. Ele seria substituído, neste último ano, por Euclides Ferreira da Silva Junior, que dirigiu o colegiado nos meses quentes de 1968, quando houve – em março – o assassinato de Edson Luís de Lima Souto no restaurante “Calabouço” de universitários cariocas e o fatídico 13 de dezembro, data da assinatura do Ato Institucional nº 5, que lançou o País na escuridão da ditadura.

Foi em 1968, por ocasião da III Semana de Estudos Jurídicos, promovida pela Faculdade de Direito, que ocorreram os fatos aqui narrados.

Para participar da série de palestras promovidas pela direção da faculdade, então exercida pelo dr. Boris Grinberg, o Diretório Acadêmico decidiu convidar estudantes de outras partes do País. Vieram poucos e os que mais se destacaram foram os gaúchos. Eram dois: Paulo Pinto e Sandra Garcia. Não faltaram a uma só sessão e tinham uma grande curiosidade com relação ao movimento estudantil em São Paulo. Queriam, porque queriam, conhecer tudo da Capital.

A vontade foi-lhes feita. Numa determinada noite formou-se um grupo de universitários para a incursão pela noite paulistana. Entre eles, os estudantes Lúcio de Melo, Hugo de Almeida Castro, Bila Affonso, Euclides Ferreira e José Carlos Bertocco. Eu também.

Com Paulo Pinto e Sandra Garcia percorremos todos os pontos de interesse da Cidade. No João Sebastião Bar, da Rua Major Sertório, demos de cara com uma gauchinha que nossos hóspedes conheciam de Porto Alegre e que estava em São Paulo iniciando carreira pelas mãos de Geraldo Cunha, um cantador e violeiro de mão cheia. Era Elis Regina. No Jogral encontramos alguns contestadores, que se divertiam com paródias de músicas de sucesso e que tinham por personagens figuras do sistema dominante.

A noite acabou, dessa feita, numa casa que fez muito sucesso em São Paulo. A esse tempo ainda funcionava na Praça Roosevelt. Depois, teria seus tempos finais na Major Sertório, onde hoje funciona um estacionamento depois de ter abrigado a casa noturna de Juca Chaves. Era o La Licorne, dirigida por Laura Garcia.

O La Licorne tinha fama de ter as mulheres mais bonitas da noite paulistana. E as mais caras. Algo parecido, ainda que melhor, com o Café Photo, que faz algum sucesso na Capital. Era nossa primeira incursão por ali. Neófitos no assunto, sentamo-nos a uma mesa e ficamos conversando sobre as descobertas da noite. A casa tinha um salão amplo, com mesas volteando a área central, dominada por uma fonte. As garotas da casa circulavam em volta da fonte, como o footing das cidades do Interior.

Em um determinado momento, os que continuavam sentados perceberam que dois dos colegas estavam também dando voltas na área central. Como as mulheres da casa. Durante muito tempo, a partir dali, os dois colegas de faculdade foram reconhecidos como concorrentes das garotas do La Licorne de tia Laura Garcia. Perdiam feio na concorrência. Mas valia a lembrança.

Depois de muitos anos relembrei estas passagens com Paulo Pinto, o gaúcho. Busquei, busquei e o achei em Pelotas, no próprio escritório de advocacia. Liguei, atendeu uma moça, identifiquei-me e, de pronto, ela transferiu para o pai – era a filha, também advogada. Falamos por algum tempo, contou-me que Sandra Garcia havia falecido e ficamos de nos encontrar qualquer dia destes. Quem sabe no Café Photo!

Abraços do

Chico

FLAGRANTE DO SÉCULO XX

A ESMOLA OU O SANTO – Por 16 anos, entre 1949 e 1965, monsenhor Roque Pinto de Barros foi vigário da Paróquia de Santana. Enfrentou a perda da antiga Matriz, em temporal, no início de 1952 e ajudou na instalação da Diocese, em 1962/1963. Em 26 de outubro de 1955, ele enviou a correspondência, aqui reproduzida, a uma senhora. Pedia-lhe que entregasse as esmolas auferidas em Cesar de Souza, “sem o que serei obrigado a retirar a imagem de São Benedito para o bairro da Mineração, que estão pedindo há muito tempo”.

Fábio Arouche Alves. (Foto: arquivo)

GENTE DE MOGI

ADVOGADO – Ele era daqueles mogianos que honram a linhagem: concluiu por aqui os cursos primário e médio, foi-se a São Paulo para graduar-se em Direito e voltou para advogar. Por toda a carreira exerceu a melhor advocacia, aquela que prima pelos preceitos éticos. Fábio Arouche Alves morreu em dezembro de 2006.

O melhor de Mogi

A nova escola do Sesi/Mogi, lá pro fim da Rua Cardoso Siqueira. Não bastasse o projeto arquitetônico e pedagógico, é a primeira a ser inaugurada por aqui nos últimos anos. O que nos remete à profecia de 1982, feita por Darcy Ribeiro e esta semana relembrada pelo amigo Luiz Augusto Vianna do Rio: “se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.

O pior de Mogi

Alguém se deu conta de que a Cidade cada vez mais transfere ações de sua responsabilidade para forasteiros? Senão vejamos: os postos de saúde agora nas mãos de entidades sem qualquer vínculo com Mogi. O Hospital Luzia de Pinho Melo é administrado por outra entidade sem qualquer ligação conosco.

Ser mogiano é….

… l00embrar o número do telefone de sua casa, ao tempo da Companhia Telefônica Brasileira. Eram três números e ligações apenas via telefonista. O de minha casa era 576. E o da sua?

www.chicoornellas.com.br


Deixe seu comentário