ARTIGO

Sufoco

Laerte Silva

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Parece que a situação do Rio de Janeiro, as mazelas da Cidade Maravilhosa, vão surgindo a cada dia em maior número. Recentemente houve a morte do músico Evaldo Rosa dos Santos pelo Exército e que demonstra que a violência urbana atravessa o dia-a-dia da população, que ao contrário de ver-se protegida parece perdida no seio de ações que não mitigam os problemas.

Também na última sexta-feira ocorreu o desabamento de dois prédios na zona oeste do Rio, em área considerada irregular e ao que se dá conta na imprensa nacional, um local dominado por milicianos que enriquecem à custa do desamparo de quem não tem moradia num país gigantesco como o Brasil, mas que falta espaço para morar com dignidade, e segurança.

Sem falar das chuvas dos últimos dias castigando a população, novamente, sem que a Prefeitura de lá tenha preparado um plano de contingência, apesar de há pouco tempo atrás ter sucumbido ao mesmo drama.

O Rio de Janeiro tem pessoas de bem, trabalhadoras, que produzem, geram empregos, que movem a máquina do turismo e lamentavelmente parece, aos olhos comuns, especialmente aos nossos de fora, um Estado sem condições de dar um jeito em todas as coisas ruins que tem passado.

Muito por conta das brigas entre milicianos e traficantes que assolam as comunidades retirando-lhes o sossego, mas muito também pela danosa administração política daquela unidade da Federação.

A sensação de insegurança no Estado do Rio de Janeiro, principalmente por conta das notícias e imagens que a televisão evidencia a todo tempo, a princípio parece demonstrar que todo o problema do país está lá, o que não é verdade, vários outros estados brasileiros sucumbem às suas desgraças por ter uma economia sucateada e por não investir em estruturas policiais, principalmente no elemento humano, e infraestrutura para seus moradores.

Mas esse quadro de “medo” das ruas não é exclusividade carioca, em todas as cidades próximas a grandes centros urbanos, nas regiões metropolitanas, o que se vê são casas e empresas com múltiplos sistemas de monitoramento por câmeras, muros com cercas elétricas e portões reforçados para inibir ação de bandidos. Essa situação demonstra que temos que sair desse sufoco, e para tanto, tomando o Rio de Janeiro como mero exemplo de tantos problemas urbanos, o desejo do cidadão brasileiro é que não apenas lá, mas que todos possam ter qualidade de vida e uma cidade maravilhosa.

Laerte Silva – advogado


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