CINEMA

‘Super-Nóis’ ganhará filme em breve

MISSÃO Com um quê de palhaço e também de aventureiro, Super-Nóis, com figurino nada convencional, não combate vilões, mas sim o sistema, ensinando positividade, arte e cultura às pessoas de todas as idades. (Foto: divulgação)
MISSÃO Com um quê de palhaço e também de aventureiro, Super-Nóis, com figurino nada convencional, não combate vilões, mas sim o sistema, ensinando positividade, arte e cultura às pessoas de todas as idades. (Foto: divulgação)

Um super-herói que não combate super-vilões, e sim luta contra o sistema. Um super-herói que representa a periferia, que estimula o estudo, o respeito, a defesa da comunidade, que ensina a brincar sem tecnologias. Esse é ‘Super-Nóis’, personagem do humorista mogiano Marcio Pial, criado em 2007. Assim como os ‘Vingadores’ fizeram há alguns anos, chegou a vez dele ganhar um filme.

Parceria de Pial com Raciocinando Filmes e Rolo B, duas produtoras de cinema independente da cidade, o projeto pode ser um curta ou longa-metragem, a depender da Lei de Incentivo à Cultura de Mogi das Cruzes (LIC). “Se a lei aprovar, faremos algo maior, que sonhamos depois em enviar para a Netflix, mas se não rolar, vamos fazer algo menor, mas tão bem produzido quanto”, afirma o criador.

O argumento da história é parecido com o da película que devolveu Eddie Murphy às telonas no ano passado, ‘Meu Nome é Dolemite’. “Vamos contar a história do Super-Nóis nos bastidores, mostrando ele fazendo o figurino e como age antes de entrar em cena”, explica Pial, adiantando o objetivo de tudo: “passar mensagens para a garotada”.

Desde que surgiu o personagem é assim: mostra que “malandro” não é quem usa ou vende drogas, e sim “quem passa dos 25 na quebrada, quem vive”. Essa característica didática e filosófica se deve à trajetória do próprio Pial, que ele define como sendo a mesma de “qualquer menino da periferia”.

“Quando comecei a treinar break, na garagem de um bar, do outro lado tinha gente vendendo droga, e ali dentro tinha gente chapada, mas estávamos ali, fazendo algo relacionado a cultura”, diz ele. A proposta é, então, fazer com que mais garotos e garotas tenham atitudes como essa, se diferenciando de tantos que são seduzidos pelo “mau caminho”.

O Super-Nóis, portanto, não tem inimigos para bater, como tem o Homem-Aranha. Também não tem poderes, assim como o Batman. Mas, diferente do alter ego de Bruce Wayne, que conta com muito dinheiro, ele não tem grana. Seu veículo é um carrinho de rolemã em vez de um carro luxuoso e tecnológico; sua arma dois tênis amarrados, ao invés de um nunchaku.

“Ele luta contra o sistema, para ter uma praça legal, um espaço de lazer para a molecada, para que a construção de uma escola seja concluída… Defende que se há hoje investimento em lazer, cultura e educação, daqui 20 anos vai ser preciso investir menos em segurança. Ou seja, o pensamento é eliminar o problema na raiz”, explica Pial.

O artista diz que todas as pessoas de seu convívio na infância e adolescência que tiveram contato com a arte e a cultura “viraram pessoas de bem”, mesmo que não tenham seguido isso como profissão. Por isso, desde a criação do herói, em 2007, já incluía elementos do hip hop, como a dança e o grafite, ou então conceitos da figura do palhaço, em todas as apresentações.

O surgimento do Super-Nóis, no entanto, é menos nobre, embora seja engraçado. “Esse herói já estava dentro de mim faz tempo, porque cada moleque da periferia sonha em ser herói, já que não existe nenhum que olhe por eles, que pise em estrada de terra”, conta Pial, que só se estimulou a criar o personagem quando, numa festa, um amigo ficou bêbado ao ponto de “amarrar um cobertor no pescoço, como uma capa”.

Até aí, era só brincadeira, reforçada pelas acrobacias que Pial aprendeu inspirado em personagens japoneses como Jaspion e Spectreman. Mas quando foi participar, de cara limpa, de um quadro de humor do antigo programa ‘Tudo é Possível’, na TV Record, lhe pediram para apresentar um personagem. E aí ele lembrou do ‘Super-Nóis’.

O uniforme do herói tem as cores da bandeira de Mogi das Cruzes, com direito a clássica cueca por cima da calça. Depois de ser vista em espetáculos em teatros e até mesmo num talk-show, a roupa –e também o corajoso homem que a veste- poderá em breve ser vista numa produção com efeitos especiais dignos de uma telona.

“Gravamos algumas chamadas em César de Souza, para mostrar que o Super-Nóis está treinando, como se fosse um monge Shaolin ou o Rocky Balboa. Ele é um espelho do ser humano, que sempre procura acertar, mas aprende mesmo é com os erros”, encerra o artista que criou um personagem que ensina positividade para pessoas de todas as idades.


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