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Surpresas do imprevisível Manoel Bezerra de Melo

LUTO O ex-prefeito, fundador e chanceler da Universidade de Mogi das Cruzes, Manoel Bezerra de Melo, faleceu nesta terça-feira. (Foto: arquivo O Diário)
MEMÓRIA Como prefeito de Mogi, Padre Melo gostava de percorrer os bairros da periferia para ouvir os eleitores. (Foto: arquivo O Diário)

De batina, o padre católico defendeu o divórcio, na tribuna da Câmara Federal

Os quatro mandatos de deputado federal exercidos por Manoel Bezerra de Melo (três deles por São Paulo e um pelo Ceará) foram marcados por posições quase sempre surpreendentes. Ora avançando muito além do esperado, ora retroagindo aquém das expectativas, o Padre Melo exercitava com perfeição a imagem do político camaleão, aquele que adapta seu discurso às conveniências do momento. Ou às suas próprias. O que dizer do então padre católico que, logo após tomar posse na Câmara dos Deputados, passou a integrar a CPI sobre o controle da natalidade, ao mesmo tempo em que, de batina, na tribuna, defendia a instituição do divórcio no País, duas pautas capazes de provocar urticárias no alto comando da Igreja da época? O mesmo deputado eleito pela Arena, o partido dos ditadores de plantão, que participou da CPI sobre a violência policial contra estudantes, tempos depois, não pensou duas vezes em indiciar em um processo sumário e que resultou em expulsão, 14 alunos que reivindicavam melhores condições de ensino, promovendo manifestações no interior do campus da UMC. No início dos anos 70 deixou o sacerdócio, mas jamais o título de “Padre”, o que lhe valeu uma repreensão do bispo mogiano, dom Emilio Pignoli, por haver registrado a sua candidatura a deputado federal, em 1978, como “Padre Melo”. Venceu o pleito com quase 100 mil votos. E continuou surpreendendo. Já ligado ao grupo conservador de Paulo Maluf, defendeu a anistia e assumiu publicamente a defesa do parlamentarismo e a legalização do Partido Comunista Brasileiro (PCB), afirmando que “o ordenamento partidário dos marxistas suprimiria os riscos da clandestinidade ideológica e, conseqüentemente, a infiltração de extremistas em partidos democráticos”, e significaria ainda “um desdobramento espontâneo decorrente da liberalização política do país”. Mas foi também o autor de uma emenda para prorrogar mandatos para garantir a supremacia governista na eleição indireta do presidente, num momento em que a maioria dos brasileiros já clamava por “eleições diretas, já!” Eleito deputado constituinte pelo Ceará, votou favorável ao rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, à proteção ao emprego contra demissão sem justa causa, ao turno ininterrupto de seis horas, ao aviso prévio proporcional, à unicidade sindical, à soberania popular, ao voto aos 16 anos, ao presidencialismo, ao limite de 12% ao ano para os juros reais, à proibição do comércio de sangue, ao mandato de cinco anos para Sarney e à anistia aos micro e pequenos empresários. Foi contra a pena de morte, a limitação do direito de propriedade privada, o aborto, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, a estatização do sistema financeiro, a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade produtiva. Assim era Padre Melo. Mais imprevisível, impossível!

Pandemia

Dessa, nem Salesópolis escapou. Parte de um decreto municipal que autorizou o funcionamento de salões de beleza e barbearias naquela cidade foi suspensa, por solicitação do Ministério Público. O procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo, alegou nos autos de uma ação direta de inconstitucionalidade que “o abrandamento da quarentena viola os princípios de prevenção e precaução em matéria de proteção à vida e à saúde”.

Indicação

Questionado sobre notícias dando conta de indicação do PSD para compor o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), durante entrevista para o UOL, o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, citou nominalmente o deputado federal Marco Bertaiolli como responsável por apontar um engenheiro formado pela Politécnica para o comando do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. Kassab justificou a medida como prova de transparência, com elogios ao perfil do indicado e também do padrinho.

No domingo

O bispo diocesano de Mogi, dom Pedro Luiz Stringhini, celebrará a missa das 18 horas do próximo domingo, na Catedral de Santana, por intenção do ex-padre católico, ex-prefeito e chanceler da UMC, Manoel Bezerra de Melo, falecido na última terça-feira e sepultado ontem, pela manhã, em Fortaleza, no Ceará. A celebração corresponderá à antecipação da missa de sétimo dia, algo que, segundo o bispo, não altera o seu significado. Sem presença de público, a celebração será transmitida pelo site Igreja na Mídia e pelo YouTube da Catedral.

Violentos

Projeto de lei apresentado pelo presidente da Câmara, vereador Sadao Sakai (PL), proíbe o acesso aos cargos, empregos ou funções públicas municipais para agressores de mulheres e de indivíduos considerados vulneráveis. A proibição valerá para condenados com decisão transitada em julgado, até o comprovado cumprimento da pena, devendo ser atestada a idoneidade moral no ato da entrega de documentos para posse de cargos efetivos e em comissão de livre nomeação e exoneração. Com isso, o Atestado de Antecedentes passa a ser documento obrigatório nos concursos públicos. A proposta começou a ser avaliada pelas comissões permanentes da Câmara.

Frase

Tenho certeza de que Deus o recebeu de braços abertos.

Melquíades Machado Portela, em depoimento sobre a morte de Padre Melo, seu amigo


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