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Surpresas poderão influenciar nas eleições de 2020 em Mogi

Resultado do pleito expôs poder de fogo de virtuais candidatos à Prefeitura

O ranking dos votos alcançados por candidatos de Mogi das Cruzes nas eleições do domingo passado é um poderoso indicador do que poderá acontecer na campanha municipal de 2020, quando voltarão a estar em jogo as 21 vagas da Câmara e os lugares de prefeito e vice. As eleições recém-concluídas indicam que além dos vencedores, como o ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD) e o estrategista Valdemar Costa Neto (PR), que levou Marcos Damasio de volta à Assembleia, alguns candidatos mostraram que são realmente bons de votos e que têm direito a sonhar com voos mais altos daqui a dois anos.Um dos credenciados para isso é o atual vereador Caio Cunha (PV). Vereador mais votado da Cidade quando concorreu à vaga que hoje ocupa no Legislativo, dois anos atrás, ele conseguiu repetir o feito e, novamente, consagrou-se como um campeão de votos, ao conseguir 30.124 e ultrapassar até mesmo a votação do atual deputado Marcos Damasio, do PR (81.695), que se elegeu com o apoio direto de Valdemar, que colocou a seu favor alguns núcleos fortes do partido, no interior de São Paulo. Afinal, somente com os votos de Mogi, o candidato dificilmente conseguiria voltar para a Assembleia. A votação de Caio o coloca na condição de concorrente natural à vaga de prefeito de Mogi nas futuras eleições municipais de 2020. Outra a demonstrar poder de fogo eleitoral foi Alessandra Monteiro (Rede), que alcançou 24.695 votos. Embora com uma performance mais modesta na Cidade (2.931), ela mostrou que soube buscar votos fora, quando foi necessário. E, com isso, avançou muito além dos 16 mil votos alcançados no pleito de 2014. Tem um apelo muito forte junto à juventude e também pode surpreender na eleição municipal, no caso de se interessar pela Prefeitura. Candidatos naturais ao cargo, Junji (21.510 votos) e Juliano Abe (19.260), ambos do MDB, não figuraram entre os vencedores de domingo. Assim como Chico Bezerra (PSB), que poderia ter surfado na onda Márcio França (PSB), mas acabou com uma votação muito abaixo do esperado: 5.988 sufrágios. Claudio Miyake (PSDB) também deixou a desejar em termos de votos: 21.669. A expectativa sobre a participação dos dentistas do interior em sua campanha não se confirmou. Outra surpresa pouco positiva para Mogi foi a não reeleição de Gondim Texeira (PTB), apesar de seus 56.135 votos. A ele resta se candidatar a prefeito, se não quiser pousar no esquecimento até as próximas eleições para deputado, somente daqui a quatro anos.

Como vinho
Numa conversa com um publicitário, seu amigo, Estevam Galvão de Oliveira (DEM) ouviu dele o conselho para que não candidatasse mais. O interlocutor alegou que não compensava mais o desgaste imposto pela campanha, além do risco de não ser eleito, mais uma vez. Estevam retrucou, disse que concordava, em parte, com o conselho, mas que iria se candidatar à reeleição, assim mesmo. Uma aposta foi feita e, ontem pela manhã, o publicitário, lamentando, já pensava no que economizar para o pagamento. Aos 76 anos, Estevam voltou a se eleger pela quinta vez, até com alguma folga.

Surpresa
Entre os eleitos da Região, um nome pouco conhecido na Cidade. Rodrigo Gambale é morador de Ferraz de Vasconcelos, onde está à frente de uma webradio, a Lookal-FM. É mogiano de nascimento, mas faz questão de se dizer representante do Município onde vive. Ele também foi um dos beneficiários da “onda Bolsonaro”, que varreu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Estava no mesmo partido do presidenciável, o PSL.

Dificuldades
Ao final das recentes eleições, pode-se dizer que o principal articulador do PR, Valdemar Costa Neto, acertou no varejo e errou no atacado. Foi bem ao conseguir a manutenção de Tiririca como candidato a federal, que rendeu ao PR 453.855 votos, assim obter a candidatura da PM Katia Sastre, que alcançou 264.013 votos. Tudo isso, no entanto, não foi suficiente para impedir que a bancada do partido fosse reduzida de 40 para 33 deputados na Câmara Federal e de 4 para 1 senador, no Congresso: apenas Jorginho Mello, de Santa Catarina.

Qual Doralice?
Quando chegou para votar, no último domingo, na seção 68, da 319ª Zona Eleitoral, na Escola do Sesi de César de Souza, Doralice Maria Faria dos Santos recebeu uma informação nada agradável. Ela não poderia participar do pleito, pois sua votação seria anulada. Tudo porque um desavisado teria confundido o seu nome com o da quase homônima Doralice Gonçalves dos Santos, que já votara. O erro só foi notado quando a urna já havia sido liberada para a outra Doralice votar. Constrangida, a Faria dos Santos deixou o local com um comprovante de votação, mas sem saber se estará apta para o segundo turno, se terá alguma problema em razão do ocorrido. E ainda frustrada por não ter conseguido dar seu voto para os candidatos que escolhera.

Frase
No Brasil, a vida pública é, muitas vezes, a continuação da privada.
Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895-1971), o Barão de Itararé, foi um jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro