CENÁRIO ECONÔMICO

Suspensão da alta no diesel é mal vista por área econômica

A avaliação é de que Bolsonaro e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, precisarão agir rápido para dar explicações e conter o estrago da medida. (Foto: reprodução)
A avaliação é de que Bolsonaro e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, precisarão agir rápido para dar explicações e conter o estrago da medida. (Foto: reprodução)
A determinação do presidente Jair Bolsonaro para que a Petrobras suspendesse o aumento no preço do diesel foi vista como catastrófica na área econômica do governo, segundo apurou o Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O cenário se complicou ainda mais no início da noite de ontem, quando o porta-voz da Presidência da República indicou que o preço do combustível pode ficar congelado por mais tempo caso o governo precise de “mais informações” para decidir sobre o tema.

O presidente convocou a diretoria da Petrobras para uma reunião na próxima terça-feira, 16, quando pedirá os números que embasaram a decisão da companhia de reajustar o preço do diesel em 5,7%. Mas se as explicações não forem suficientes, a decisão pode ser postergada, disse o porta-voz. O anúncio foi visto na área econômica como um sinal ruim de que a intervenção pode durar um período ainda maior.

A avaliação é de que Bolsonaro e o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, precisarão agir rápido para dar explicações e conter o estrago da medida, que pode causar danos severos à empresa e ao governo, que tem uma equipe econômica de viés liberal – ou seja, contra a intervenção em preços. O episódio deixou uma fratura exposta diante da admissão pública do presidente de que interferiu numa decisão que cabe à companhia.

O Ministério da Economia não quis se pronunciar oficialmente, e o ministro Paulo Guedes, que está em Washington, só falou ao fim do dia, sugerindo que não foi procurado por Bolsonaro para falar do assunto. A falta de comunicação do Palácio do Planalto com os próprios técnicos do governo para tirar dúvidas sobre o reajuste da Petrobras também foi criticada nos bastidores, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

Auxiliares mais próximos de Guedes, no entanto, buscam distanciar a pasta da crise ao classificar a decisão de Bolsonaro como um “ponto isolado”. Para essas fontes, não se trata de uma intervenção no Ministério.

Quando lançou o programa de subvenção ao preço do diesel para aplacar a greve dos caminhoneiros, em maio do ano passado, a equipe do ex-presidente Michel Temer também ficou na berlinda devido à intervenção na política de preços da companhia. O episódio acabou resultando na saída do então presidente da companhia, Pedro Parente, que preferiu pedir demissão a ter de aceitar alternativas alinhadas à necessidade de sobrevivência do governo.

O custo da medida acabou ficando na conta do Tesouro Nacional, justamente para atenuar a imagem de dano à Petrobras. Mesmo assim, a ferida permaneceu, e o temor agora é de que a investida de Bolsonaro também possa deixar cicatrizes ainda mais graves para a empresa.