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SUV compacto Audi Q3 Ambiente combina dinâmica e requinte

O Audi Q3 já exibe sinais de cansaço no visual e a montadora deverá apresentar uma nova geração do SUV compacto ainda este ano (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Foi exatamente há um ano que a Audi lançou a motorização 1.4 flex para seu menor SUV no Brasil, o Q3. Produzido em São José dos Pinhais, no Paraná, o modelo usa em suas versões mais em conta o propulsor que também equipa o sedã Audi A3 e o Volkswagen Golf, entre outros modelos. Inicialmente, o motor chegou nas três versões de acabamento, Attraction, Ambiente e Ambition. Atualmente, no entanto, fica restrito às duas primeiras, sendo a Ambiente a mais completa com este propulsor. Um trunfo que, mesmo com o visual datado do Q3 – uma nova geração deve ser apresentada ainda este ano pela fabricante alemã – e seu recheio tecnológico um tanto defasado, ainda é capaz de movimentar as vendas do modelo.
E é justamente na versão Ambiente do Q3 que o trem de força bicombustível 1.4 se sobressai. A potência máxima fica em 150 cv, disponível entre 4.000 e 6.000 rpm, e o torque de 25,5 kgfm dá as caras entre 1.500 e 3.500 giros, tanto com etanol quanto com gasolina no tanque. O propulsor turboalimentado tem injeção direta de combustível e, para receber os dois combustíveis, passou por pequenos ajustes. Alterações que, na verdade, não chegaram a modificar o comportamento dinâmico do Q3. O modelo alcança os 100 km/h, partindo da inércia, em 8,9 segundos, e é capaz de atingir velocidade máxima de 204 km/h com ambos os combustíveis.

Na versão Ambiente, com motor 1.4 turbo de 150 cv, o Q3 custa R$ 167 mil, porém não tem nem mesmo uma simples camera de ré (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

A transmissão é automatizada de dupla embreagem e seis velocidades, com comandos para trocas manuais junto ao volante. Para melhorar a eficiência e, consequentemente, diminuir as emissões de CO2, o veículo conta com sistema start/stop, que desliga o motor quando o carro é freado por completo, religando-o ao voltar a acelerar.
O Audi Q3 está longe de ser um carro feio ou sem graça. Mas é inegável que depõe contra ele o fato de estar prestes a ganhar uma nova geração e de seu design já ser conhecido há sete anos. O desenho, apesar do “face-lift” recebido em 2014, é datado e pouco atraente, principalmente diante de seus principais concorrentes, o Mercedes-Benz GLA e o BMW X1, projetos mais modernos.

O Audi Q3 concorre com Mercedes-Benz GLA e BMW X1, modelos muito mais modernos, porém custa menos que os adversários (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Se o motor impressiona, por outro lado, a lista de itens de série vai no sentido oposto. Nem mesmo câmara de ré aparece, algo um tanto decepcionante para um carro que não sai da loja por menos de R$ 167 mil. Um dos principais destaques dos últimos lançamentos da Audi, o virtual cookpit, também não aparece sequer como opcional.
A lista de itens de série do Q3 Ambiente engloba rodas de liga leve de 18 polegadas, ar-condicionado de duas zonas, bancos de couro com ajuste elétrico para motorista e faróis de xenônio com limpadores são entregues já a partir dos R$ 167.990 iniciais pedidos.

Interior do Q3, apesar de não simplório, não remete ao que se poderia esperar de um modelo que tem a etiqueta de preço de R$ 167 mil (Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Entram nesse pacote também o freio de estacionamento elétrico, sistema de som com conexões auxiliar e bluetooth, computador de bordo e sensores de estacionamento, luz e chuva, além de controle de velocidade de cruzeiro, retrovisores externos rebatíveis com ajustes elétricos e rodas com 18 polegadas. Por R$ 9.500 a mais, é possível adicionar teto solar panorâmico, abertura e fechamento elétricos do porta-malas e pacote interno de luzes de LED.
Para quem busca desempenho instigante, o Q3 Ambiente certamente é capaz de agradar. Mas a falta de um recheio mais condizente com sua etiqueta de preço não passa despercebida. (Márcio Maio/AutoPress)

Ponto a ponto – Audi Q3 Ambiente

Desempenho – O motor 1.4 TSI bicombustível de 150 cv move o Audi Q3 Ambiente com bom vigor. Não é o mais potente disponível para o modelo – ele pode receber um 2.0 turbo de 180 cv, exclusivo da configuração de topo Ambition -, mas cumpre bem seu papel ao aliar desempenho instigante e eficiência. O torque máximo de 25,5 kgfm aparece entre 1.500 e 3.500 giros, ou seja, quase assim que se pisa no acelerador. O quase fica por conta de um breve “turbo lag” nas arrancadas. É preciso encher um pouquinho o motor para o Q3 ficar mais “decidido”. Assim, o zero a 100 km/h se dá em 8,9 segundos, com máxima de 204 km/h. Suficiente para garantir uma boa dose de diversão. Nota 8
Estabilidade – Apesar da altura e do porte, o Q3 Ambiente se comporta de maneira muito estável nas curvas, e a impressão que se tem é de que dificilmente se desgrudará do chão. A configuração intermediária não conta com tração integral, mas garante uma pegada esportiva com bastante sensação de segurança, mesmo quando encara estradas mais sinuosas. As rolagens da carroceria são controladas e não incomodam. Nota 9
Interatividade – Até por não se tratar de uma variante de topo, o Q3 Ambiente não assusta com um monte de comandos espalhados pela cabine. Ao contrário: tudo que há de mais essencial para o motorista fica bem localizado e com uso intuitivo. Faz falta uma tela sensível ao toque, prática que as marcas premium alemãs aos poucos vêm implementando. O volante multifuncional recebe “borboletas” para trocas de marcha manuais e o painel de instrumentos tem visualização clara, embora não esteja disponível o virtual cookpit. A direção é leve, o que ajuda nas manobras. Nota 7

(Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Consumo – O Audi Q3 com motor 1.4 flex não foi avaliado ainda pelo InMetro. Mas a versão anterior, somente a gasolina, não tinha um consumo absurdo e ainda tinha a ajuda do sistema start/stop. A média era de 10,1 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, com 1,99 MJ/km. Isso rendeu uma nota B na categoria e C no geral. Nota 6
Conforto – O Q3 é um carro justo em termos de espaço. Ele acomoda bem quatro adultos, mas não oferece tanto conforto assim para o quinto ocupante, até pelo desenho do assento central. Atrás, por sinal, os mais altos podem bater com a cabeça no teto. Na frente há área suficiente em todas as direções. A suspensão é rígida, mas não chega a prejudicar o conforto. Nota 7
Tecnologia – O Q3 usa plataforma com boa rigidez torcional, de 2003, mas não é à toa que alguns recursos que aparecem em modelos até mais em conta, como o virtual cookpit, fiquem de fora dele. Já o trem de força é moderno, tem respostas rápidas e passou por ajustes recentes para se tornar flex. A lista de equipamentos de série é curta para um carro desta estirpe, sendo essa uma questão a ser resolvida só numa próxima geração. Nota 6
Habitabilidade – Há bons porta-objetos no interior do Q3 e o porta-malas carrega 460 litros, nada ruim levando-se em consideração o tamanho do carro, que não é muito grande. A altura não é tanta a ponto de prejudicar a entrada no modelo e as portas se abrem em ângulo suficiente para que seja fácil entrar na cabine, tanto na parte da frente quanto de trás. Nota 8

(Foto Jorge Rodrigues Jorge/AutoPress)

Acabamento – O Q3 é um carro racional nesse sentido e a presença de um sistema de som um tanto antiquado já denota um pouco a condição de geração antiga, que fica evidente em seu visual interno. Há bons materiais, mas longe de ostentar luxos ou mesmo requinte. Os encaixes são precisos e bem feitos e as peças têm o cuidado certo na montagem final. Mas está longe de impressionar. Nota 6
Design – A Audi não ousou no design do utilitário quando o lançou, há sete anos. O “face-lift” apresentado em 2014 mudou pouco isso, apenas aplicou a atual identidade visual que a marca apresenta em toda a sua linha. É um desenho harmonioso, mas que não se destaca nas ruas. Nota 6
Custo/benefício – O Audi Q3 Ambiente tem preço que começa em R$ 167.990 e chega a R$ 177.490 completo, quando se insere um pacote de opcionais com teto solar panorâmico, iluminação interna em LEDs e abertura e fechamento elétricos do porta-malas. O preço se equilibra com o Mercedes-Benz GLA 200 Advance, de R$ 175.900, e é bem mais em conta que os R$ 191.950 iniciais pedidos pelo BMW X1. Mas trata-se de um modelo que, em breve, ganhará nova geração no exterior e cujo recheio tecnológico é um tanto datado em função do uso de uma plataforma que já tem 15 anos de vida. Nota 6
Total – O Audi Q3 Ambiente somou 69 pontos em 100 possíveis.

 


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