Tempos violentos

Foi mais um passo na luta por melhores condições de trabalho das polícias Civil e Militar a partir de um primeiro encontro entre o secretário de Estado de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho e lideranças políticas, na quinta-feira última. Foi uma conversa frente a frente entre quem tem o dever de pressionar e quem tem o poder de ação sobre o que mais preocupa Mogi das Cruzes: a escalada da violência e as dificuldades encontradas para o combate aos crimes pela falta de policiais civis e militares.Esse encontro ocorreu algumas horas antes de a Cidade viver uma madrugada violenta, com a morte de quatro jovens de 17 a 21 anos, que assaltavam postos de gasolina, um dos crimes banalizados pela quantidade de ocorrências registradas no setor.
A mobilização política criada a partir de uma série de reportagens sobre os furtos e roubos ao comércio e em bairros periféricos pode trazer resultados positivos, que começarão a ser aferidos nas próximas semanas, quando outras reuniões ocorrerem para tratar de assuntos como o déficit de policiais, que tem se acentuado nos últimos tempos.
O secretário Mágino Alves Barbosa Filho prometeu discutir com a cúpula regional das polícias Militar e Civil as metas estabelecidas durante a audiência com o deputado estadual Estevam Galvão (DEM), o prefeito Marcus Melo (PSDB) e vereadores.
Esse déficit de policiais não é questão nova. O Estado alega ter dificuldade para concluir os concursos públicos lançados para combater o problema. Por isso, a nossa reserva quanto ao futuro dessa história. Mas, há pontos a serem destacados. O bom foi colocar à tona pendências que, se ninguém falar, pressionar e denunciar, continuarão engavetadas. O principal deles é a criação de um polo de segurança nas antigas dependências da Polícia Rodoviária, no Distrito de Jundiapeba. Desde 2013 o Governo do Estado sabe dessa pendência com Mogi das Cruzes.
Não esperamos resultados imediatos. Mas, em todo o caso, o secretário Mágino ganha crédito por se dispor a ouvir mais atentamente sobre as difíceis condições de trabalho dos nossos policiais civis e militares. Mogi está muito insegura. Cresceu sem que os quartéis, delegacias e setores como os de Investigação e o Instituto Médico Legal atualizassem seus quadros. Ao contrário, algum tempo atrás, esses departamentos tinham mais policiais do que hoje.
Esse encontro serviu para demonstrar a nossa insatisfação com as políticas públicos do Governo do Estado.
Por último, a ocorrência policial na madrugada de sexta-feira, que destacou negativamente Mogi das Cruzes, eleva a importância de as lideranças políticas manterem a mobilização iniciada neste início do ano em busca de mais policiais e no combate às causas da violência urbana. Mogi vive dias e noites incrivelmente violentas.


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