ARTIGO

Toda vida importa

Diego Cápua

Está na mídia, está na nossa frente, fez parte da nossa história e ainda faz parte de nossa sociedade. Ainda hoje há discriminação e racismo? Claro, é indiscutível. Mesmo sabendo que é indiscutível a existência, é complicado aqui trazer com exatidão as consequências desse nefasto comportamento humano, não porque há falta de informação sobre o assunto ou não se tenha presenciado algo nesse sentido, mas sim porque ver e conhecer é muito diferente de sentir. Você ver uma pessoa com descendência afro ser olhada com desconfiança ou destratada por causa da cor de sua pele é uma coisa. A dor certamente é muito diferente, pois ela ultrapassa o físico e chega na alma da vítima da discriminação. Por isso, nesse momento em que comunidades afrodescendentes estão tomando as ruas do mundo, toda e qualquer pessoa que não integre o grupo das vítimas desse nefasto crime precisa dar um passo atrás, se entender o que foi esse momento, ajoelhar diante das pessoas, e dar espaço para que a voz delas sejam ouvidas.

Precisamos aprender o quanto isso dói, o quanto a vida de uma pessoa é impactada por uma conduta dessas. Se existirem lágrimas, é importante que possamos vê-las. Nós precisamos compreender e absorvermos em toda sua extensão o sofrimento alheio derivado de um julgamento decorrente de sua descendência. Para que seja possível extirpar esse sofrimento do mundo, para que não vejamos, essa é a forma mais eficaz, pois, quando nos colocamos no lugar do próximo, tornamos possível essa tão necessária mudança em nossa sociedade.

Não basta uma igualdade estar no papel, precisamos que todas as pessoas saibam e tenham um sentimento em seu âmago de que todos são iguais, independente da cor da pele, da riqueza, do sexo e da religião. Toda vida importa.

Diego Cápua é advogado


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