ARTIGO

Todos no mesmo barco

Diego Capua

Seja qual for a discussão e o posicionamento político, temos que muitos hoje prezam, na verdade, por duas questões primordiais: emprego e renda. É certo que diante dos erros das administrações passadas, o desemprego segue em alta, de forma que um número superior a 13 milhões de pessoas está sem trabalho, e outros tantos milhões desistiram de buscar uma recolocação. Por outro lado, vemos categorias negociando com empresas condições para manutenção das vagas, exemplo recente foi a GM, que considerou fechar fábricas e postos de trabalho. Independentemente da administração culpada, o fato é que hoje precisamos criar uma nova mentalidade. Muito longe de uma precarização da relação de emprego e perda de direitos essenciais, está na hora dos empregados também serem mais flexíveis, analisando condições que podem ser objeto de negociação, visto que uma escalada sem tamanho de direitos adquiridos em negociações anteriores podem gerar uma situação que ao final, prejudique a própria existência da relação de emprego.

Analisando uma convenção coletiva de categoria geralmente vinculada a pequenas empresas, com rendimentos mais reduzidos, pude constatar um sem número de direitos, os quais, em virtude da não delimitação da abrangência, chega a inviabilizar pequenos negócios.

É claro e indubitável que ninguém deve aceitar se submeter a um trabalho em situação precária ou abrir mão de benefícios concedidos sem que haja alguma contrapartida ou mesmo que isso signifique apenas um aumento de lucros, mas a parcimônia é um quesito essencial. Empregados e empregadores precisam aprender a dialogar. Apenas uma relação equilibrada é que tornará possível um crescimento seguro para as empresas e, por consequência, da renda do trabalhador, sendo certo que conforme maior o faturamento, é dever da empresa propiciar contrapartidas que beneficiem o empregado, assim como em períodos de crise este saber dosar o que pode abrir mão em nome da manutenção de seu posto e da vida da própria empresa. Tudo se resume a um requisito, a de mudança de mentalidade, mas será que vamos conseguir? Óh dúvida cruel!

Diego Capua é advogado