EDITORIAL

Torcida pela saúde

A proposta do presidente Jair Bolsonaro de ampliar o atendimento nos postos da rede básica até as 22 horas tem tudo para melhorar o serviço público de saúde, sobretudo nas cidades menores, marcadas pela fragilidade das políticas de atenção preventiva e curativa aos doentes.

Na prática, os gargalos do Sistema Único de Saúde (SUS) são mais sentidos por quem reside nos municípios menores, porque eles não conseguem manter uma mínima rede de atenção ao cidadão, que se vê obrigado a migrar para as cidades vizinhas e com redes (postos, pronto-socorro, hospital) mais estruturadas. Mogi das Cruzes flagra essa realidade há anos. Sem ter para onde pedir ajuda, as pessoas são obrigadas a procurar pelo médico a quilômetros de distância de casa e, muitas vezes, mentir até o endereço.

O grande enigma da proposta é saber como o governo federal irá pagar uma conta que já onera os municípios. Há sete anos, os repasses federais para a rede básica não são reajustados, como observa o secretário municipal de Saúde, o médico e vereador licenciado Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSD).

A meta do governo pode melhorar a prevenção e o tratamento de doenças no Brasil. Encarecem o serviço de saúde os tratamentos secundários e terciários, que exigem breves e longos períodos de internação em hospitais, que vivem superlotados.

As doenças mais graves poderiam ser reduzidas substancialmente se o médico que realiza o primeiro atendimento ao paciente, no posto de saúde, perto da residência dele, fizesse o diagnóstico precoce e iniciasse o tratamento das doenças.

Além da redução de sequelas e das taxas de mortalidade, o governo brasileiro reduziria os pesados custos da saúde. O problema sempre foi tirar esse conceito do papel.

A rede de atenção básica de Mogi das Cruzes possui 23 postos, cinco com horário estendido, sendo dois com portas abertas 24 horas (Jardim Universo e Jundiapeba) e três que já atendem até 22 horas (Jardins Santa Teresa e Camila, e Vila Suíssa), além do Programa de Saúde da Família, que percorre regiões distantes das unidades fixas.

Para ampliar em mais cinco horas o atendimento público em uma unidade, estima o secretário Chico Bezerra, custaria R$ 44,2 mil. Hoje, ele dispõe de metade para essa despesa, R$ 21,3 mil.

Enquanto se espera o detalhamento sobre como funcionará o novo horário dos postos de saúde, a torcida é pelo acerto do governo. A sistematização da cultura da doença mata, ainda na fila, quem espera por um leito hospitalar e poderia ser salvo por uma simples consulta, que serve para detectar o início de uma doença cardíaca ou de um câncer, por exemplo.