Isabella Masirevic Lozano

Isabella decidiu a carreira do pai

Isabella Masirevic Lozano decidiu seguir a carreira do pai, Gilberto Lozano, que é ginecologista

A mogiana Isabella Masirevic Lozano decidiu seguir a carreira do pai, Gilberto Lozano, que é ginecologista, e se formou em Medicina pela universidade de Mogi
das Cruzes (UMC). na sequência, fez residência em ginecologia e obstetrícia na Capital e emendou uma especialização em Medicina Fetal pelo Hospital das Clínicas, que será concluída em março próximo. aos 30 anos, ela se divide entre atendimentos na rede particular e pública, e além de trabalhar na Cidade, na santa Casa e na clínica da família, atua também em Suzano, realizando inúmeros exames, principalmente o pré-natal. a O diário, Isabella dá dicas de tratamento e mostra quais são os procedimentos, técnicas e abordagens mais modernas da área

 


Isabella Masirevic Lozano decidiu seguir a carreira do pai, Gilberto Lozano

Com a internet e as mídias sociais, o acesso a informações facilita ou atrapalha a vida das
pacientes?
Hoje, as pacientes estão cada vez mais informadas. Elas entram no Google e ficam sabendo de tudo, e quando vêm para a consulta, já estudaram vários assuntos. O que nem sempre é positivo, já que algumas chegam totalmente perdidas, pois leem tantas coisas que acabam se confundindo. Por isso, a recomendação é pesquisar o básico, sem se aprofundar muito, deixando com os médicos o papel de orientar e se aprofundar. É como dizem os remédios: “Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.

Existem novos tratamentos na ginecologia e obstetrícia?
Tem muitos profissionais partindo para a parte estética, mas fora isso, não existem grandes novidades. Sabemos que a parte mais importante é a prevenção e, por isso, quando a paciente vem para o consultório, pensamos numa gama de doenças que ela pode ter e como vamos prevenir, com base em diagnósticos precoces.

E quais são os principais diagnósticos?
O básico continua, ou seja, fazemos papanicolau aliado à colposcopia e, se necessário, alguma biópsia do colo do útero. Hoje em dia, a maioria das
pacientes mais jovens faz ultrassom transvaginal, diagnóstico dos ovários micropolicísticos e de endometriose. Já para as mais senhoras, a partir
dos 40 anos, apesar de haver outras técnicas, como a ressonância, nenhuma bate a mamografia, que continua sendo a melhor técnica
de prevenção para o câncer de mama.

Você está prestes a concluir a especialização em Medicina Fetal, e trabalha muito com pré-natal. Qual a importância deste tratamento?
É a partir do pré-natal que fazemos diagnósticos de alto risco, hipertensão, diabetes, hipertireoidismo e outras patologias.
Cada vez menos mulheres têm deixado de fazer o tratamento, mas esses casos ainda aparecem bastante no SUS (Sistema Único de Saúde). Quando atendo no posto de saúde vejo mulheres que perdem consultas, o que é prejudicial para o nenê, pois podemos tratar muitas doenças. Para diminuir esse índice, o sistema público faz uma espécie de busca ativa, verificando o motivo da não continuidade, e já agendando todas as consultas e ultrassons. Fazendo esse acompanhamento, conseguimos trabalhar para reduzir as taxas de mortalidade. Por exemplo, a partir de seis semanas, o ultrassom transvaginal permite determinar se é um bebê ou se são dois, se estão dentro do útero e qual a idade correta. Depois, conseguimos procurar doenças no feto e tratálas, ou então excluí-las e tranquilizar os pais.

Como é o pré-natal na rede particular e pública?
Na rede particular costuma-se encontrar todos os ultrassons, inclusive o ecofetal, feito com 28 semanas. Na rede pública, isso é prejudicado, já que além da falta de vários exames, a mulher, por vezes, não se alimenta direito. Temos que batalhar para melhorar a infraestrutura e oferecer mais ultrassons, a fim de melhorar o pré-natal.

Os papais têm acompanhado as mamães no pré-natal?
Vejo, principalmente na rede particular, que os pais estão mais presentes, querem saber do ultrassom e assistir ao parto. Em geral, têm estado sempre ao lado da mulher, mais participativos. Eles gostam principalmente do ultrassom, para saber se é menino ou menina. Já quando o casal é separado é mais complicado, e no SUS há menor participação, pois muitos estão trabalhando.

De modo geral, são realizados mais partos cesárea ou normal?
Cesariana. Estamos tentando abaixar a taxa dese tipo de parto, que atualmente representa 32% dos nascimentos realizados na Santa Casa,
que é referência e atende todos os tipos de gestantes, inclusive as de alto risco. Mas é difícil fazer isso, pois as mulheres têm medo da dor do
parto. É preciso conversar com elas e tentar convencê-las dos benefícios do procedimento normal, como ausência de riscos de lesão a órgãos,
recuperação mais rápida, e possibilidade de iniciar a amamentação na hora, depois do contato pele a pele. Algo que já ajuda em São Paulo, mas
não temos em Mogi, é a anestesia peridural na hora do parto, que ajuda a mulher quando ela começa a sentir dor mais forte na dilatação.

Quando a mulher deve começar a frequentar o ginecologista e qual o uso recomendado para o anticoncepcional?
Incentivadas pelas mães, as meninas têm ido mais cedo ao consultório, normalmente depois de ter a primeira relação sexual, quando é preciso conversar para explicar a importância do uso do preservativo e da medicação. O anticoncepcional tem algumas indicações e a principal é evitar o parto, para quem não quer engravidar. Mas, às vezes, é usado em tratamentos para pacientes que têm muitos distúrbios hormonais.
É preciso lembrar que o anticoncepcional da amiga não necessariamente é bom para a paciente. O corpo leva de dois a três meses para se adaptar ao remédio e, nas consultas regulares, o médico vai dizer se mantém ou troca a medicação.

E a ginecologia deve fazer parte da rotina de mulheres mais velhas?
Para cada faixa etária há um tratamento, principalmente na adolescência, no período gestacional e na menopausa, a partir dos 50 anos. É possível melhorar qualidade de vida da mulher que está nessa fase com a reposição hormonal, método benéfico em que voltamos a dar hormônio para melhorar queixas de falta de  libido e “calorão”. Tratamentos como esse podem durar de 5 a 10 anos ou até ter duração maior, pois a população feminina está ficando mais velha.