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Tradef faz 31 anos com exposição

SOCIAL Trabalho de Apoio ao Deficiente realiza uma série de atividades com foco na integração. (Foto: Elton Ishikawa)

Apesar do nome, o Trabalho de Apoio ao Deficiente (Tradef) é hoje um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos voltado a toda a comunidade, com idade entre 18 e 59 anos, e não mais uma entidade que cuida apenas de pessoas com deficiência. Este mês, no dia 8, a Organização Não Governamental (ONG) completou 31 anos de existência e é responsável atualmente por 156 atendidos, que desenvolvem atividades como artesanato, cerâmica e a capoeira como forma de terapia.

Para se manter, o Tradef recebe subvenção da Prefeitura, além de doações de empresas e de materiais recicláveis, realiza eventos como brechó e participa de bazares até mesmo fora de Mogi. Parte do calendário de comemorações do aniversário acontece no próximo dia 26, com uma exposição solidária no Clube Náutico Mogiano, na qual os assistidos poderão mostrar e vender seus trabalhos em cerâmica e outros produtos também serão comercializados.

“Hoje, eles confeccionam cerâmica aqui mesmo na entidade, porque temos queima e esmaltação. Então, esses artigos serão apresentados e vendidos. Teremos outros artesanatos e alguns expositores pagaram uma taxa para alugar o nosso espaço. Ainda ficaremos responsáveis por vender a comida. Isso será feito para levantarmos recursos próprios”, conta Rita de Cássia Ferreira, 57 anos, presidente do Tradef.

Ela explica que a verba proveniente da Prefeitura é utilizada para o desenvolvimento de atividades de assistência social, que engloba todos os eixos focados no ser humano, enquanto os recursos próprios são investidos nas oficinas de cerâmica, pintura em tecido e também na capoeira. Dos participantes das aulas, ela acredita que metade seja formada por pessoas com deficiência, enquanto o restante corresponde àquelas em vulnerabilidade socioeconômica.

Duas vezes ao ano, em parceria com a Aiesec no Brasil, a entidade recebe intercambistas de todo o mundo que chegam para fazer trabalho voluntário. Da última vez, vieram à cidade 10 estrangeiros de países como Tunísia, Alemanha, Equador, Colômbia e México. Por aqui, além de auxiliar nas atividades, eles aproveitam a oportunidade para mostrar um pouco das culturas nativas, com a culinária e o idioma, por exemplo.

Idealizado por Ieda Boucault, o Tradef teve início na Universidade Braz Cubas, hoje Centro Educacional Braz Cubas. “Ela apresentou esse trabalho com a intenção de atender quem frequentava a faculdade, mas eram poucas pessoas com deficiência e, então, expandiu para a cidade. Isso foi crescendo, até que nos tornamos uma ONG”, relembra Rita. Apesar de ser de São Paulo, ela se mudou para Mogi quando tudo estava se formando e por isso acompanha a história desde o início.

A entidade, inclusive, foi essencial também na vida da presidente, que aos oito meses de vida contraiu uma poliomelite que a tornou deficiente física. “Foi depois do Tradef que aprendi a encarar minha deficiência de frente e hoje tenho um apartamento, carro e uma vida normal. Eu sou muito grata a Ieda”, ressaltou.

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Com problemas crônicos de saúde que reduziam gradativamente sua mobilidade, Roseli Gonçalves de Oliveira Tonini, 52 anos, se viu em depressão e “sem vontade de viver”. Foi no dia 11 de março de 2014, entretanto, que as coisas começaram a mudar. Nesse dia, ela passou a frequentar o Trabalho de Apoio ao Deficiente (Tradef). “Foi assim que voltei a ser eu, voltei a ser guerreira e a ser feliz”, conta ela, com a voz embargada.

Moradora de São Paulo, ela conheceu o serviço por causa do irmão, Ronaldo de Oliveira, que já havia trabalhado lá. Roseli lembra que de início achou que não seria aceita por ser de outra cidade, mas conta que a presidente Rita de Cássia Ferreira conversou com Ronaldo e a acolheu. “Hoje, para mim é primeiro Deus e depois a Rita”, revela.

Roseli sofre de doenças como artrose, bursite, tendinite e hérnias de disco e diz que “travou” em uma máquina de costura há 10 anos. No Tradef, a paulistana faz artesanato e cerâmica, além de ajudar no que pode e aproveitar a oportunidade para conhecer novas pessoas. Semanalmente ela vem à cidade para participar das atividades e para isso precisa pegar uma condução até a estação Tatuapé da CPTM para vir a Mogi de trem.

“Agora não preciso fazer a baldeação, o que é muito bom, mas antes eu ia feliz mesmo assim. As pessoas dizem que sou louca por fazer isso nas minhas condições, mas prefiro ser assim e ser feliz. O Tradef mudou minha vida e tem gente que me conhece e até chora por ver minha melhora”, finaliza.

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