ESCOLA PROFESSOR RAUL BRASIL

Tragédia acelera projeto Anjos da Guarda

Para o psicólogo, o restabelecimento da segurança e a elaboração do luto são alguns dos maiores desafios encontrados no contato com as pessoas que vivenciaram a tragédia.(Foto/ Natan Lira)
Massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, completou um mês ontem. (Foto/ Natan Lira)

O massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, deu celeridade ao projeto ‘Anjos da Guarda’, que já estava em planejamento nas secretarias de Educação e Segurança de Mogi das Cruzes. A ação é um pedido do prefeito Marcus Melo (PSDB) para levar temas como bullying, drogas, violência sexual, respeito, família e segurança aos alunos, de modo a prepará-los para as experiências da vida.

A comandante da Guarda Municipal de Mogi, Thais Nascimento, está à frente do projeto. Segundo ela, nesta semana, ele será apresentado ao prefeito e os secretários. Se tudo estiver certo, a ação deverá ter início no começo de maio.

“É um projeto de prevenção que, inicialmente, vai atender todas as classes de quarto ano. Nós sentamos com a educação, colhemos as informações necessárias da quantidade de salas e crianças que serão atendidas, e aí vamos dividir o cronograma. A ideia de começar por essa faixa etária é para que os alunos cheguem à fase mais crítica da adolescência preparados para lidar com essas questões”, destaca.

O projeto foi pensado com auxílio de uma equipe multidisciplinar, mas será aplicado pelos agentes da Guarda Municipal, que já passam por qualificação sobre diversos assuntos para apresentá-los em sala de aula durante algumas aulas. “Os alunos vão receber palestras e seguir uma cartilha que já está sendo confeccionada. Vai funcionar realmente como um Proerd, que é do Governo do Estado, mas para a rede municipal”, destacou.

A comandante da Guarda avalia ainda que o trabalho tem cunho preventivo porque a rede municipal, até pela faixa etária dos alunos ser menor e os pais os acompanharem até a escola, tem menos problemas com violência. Já nas escolas estaduais, houve uma preocupação maior. Inclusive, os agentes da Guarda também estendem o atendimento a essas unidades do Estado, porque o papel da Guarda é proteger todo o cidadão que está dentro da cidade, independentemente de onde ele estuda.

Por fim, Thais vê com boa expectativa o “Anjos da Guarda” e espera que ele possa expandir para todas as classes. “A rede municipal pega crianças de 12 anos para baixo, isso facilita porque a gente acredita que esse projeto vai dar certo. Mas, num segundo momento, o intuito do prefeito é atender todas as crianças, então futuramente, vamos expandir para todas as escolas que necessitarem. É um projeto muito bacana, muito bonito, bem elaborado, com a finalidade de resgatar o respeito nas crianças e prepará-las para a vida”, pontua.

Ações

A secretária municipal de Educação, Juliana Guedes, destacou em entrevista a O Diário que a pasta realizou um check out das ações depois do massacre na cidade vizinha. A ideia foi verificar todos os trabalhos que estão sendo feitos e o que poderia ser melhorado. No entanto, não houve uma conversa pontual, no interior de cada sala de aula, porque a Secretaria entendeu que a faixa etária é diferenciada e levar o assunto para debate poderia assustar as crianças. Já na única escola municipal com alunos do ciclo 2 do ensino fundamental, no Centro Municipal de Programas Educacionais (Cempre) Benedito Ferreira Lopes, o tema foi tratado de forma pontual.

“A gente levou a temática para os nossos conselhos e tivemos uma reunião ordinária, em que foram apresentadas sugestões pelos conselheiros das escolas com o objetivo de traçar ações em conjunto”, destacou.

Além disso, na última quinta-feira, a reunião se estendeu aos diretores de todas as escolas municipais, para também unir as ideias de quem vivencia o dia a dia nas unidades de ensino. “A gente não pode perder de vista que as famílias também precisam ser atentas e buscar o auxílio sempre que necessário, porque os alunos precisam de orientação, de carinho, e isso a gente sabe que na sociedade de um modo geral está escasso. É importante que cada família dê conta da formação de seus filhos e procure o poder público quando precisar de ajuda”, destaca.

A secretária ressaltou ainda que a pasta vem investindo em políticas de ajuda da juventude, inclusive com a expansão dos cursos de jovens na escola.