ARTIGO

Tragédia anunciada

José Arraes

Hoje aqui em São Paulo, segundo informações, iniciamos os próximos mais perigosos dias da pandemia.

E acho, que estamos sendo vítimas de nós mesmos, pela submissão, pelo comodismo e pala cooptação massificada sem que o conhecimento tenha prevalecido.

Há poucos dias, todos nós permitimos que chegássemos nesta situação atual.

O mundo todo disse que esse vírus era perigoso, aqui acreditamos numa gripezinha, aqui num mal-estar, aqui numa dor de cabaça.

O homem da cidade de hoje, certamente perdeu ou menosprezou o sentido da cidadania, da cumplicidade, do social e da solidariedade, e embarcou em dar crédito a neurastênica posição do poder do mando e do autoritarismo, falsas lideranças, transparecendo, mas que nunca, com relevante evidência, que o “ter” é muito mais importante que o “ser”.

Nem as “falas” de carinho existem mais, nem os desejos de consolo, nem as esperanças de melhorias, ao contrário, todos estamos sendo enterrados em “valas comuns” e “o que querem que eu faça? Eu sou Messias mas não sei fazer milagres”, resume o idolatríssimo do “ego”, “do eu”, “do meu”, “do tenho” e “do mando”.

Na reclusão sinto-me um cordeiro pronto para ser imolado, sem direitos conquistados nem para berrar, e me ponho a lembrar do quanto já fui enganado na minha juventude, na minha fase adulta e pior, o quanto continuo na velhice.

Eu poderia e deveria ter sido muito mais ativo e participativo ou pelo menos tentado “Agir de tal forma, que as ações transpareçam e se tornem em princípios de uma legislação universal” (Immanuel Kant, filosofo iluminista).

Não sei mais o que dizer para essa juventude adomada.

José Arraesé presidente do

ICATI- Instituto Cultural e Ambiental Alto Tietê.


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