Trem para todos


Não há uma previsão sobre quando as quatro estações ferroviárias de Mogi das Cruzes – Jundiapeba, Braz Cubas, Centro e Estudantes – ficarão livres dos problemas enfrentados diariamente pelos milhares de usuários. Essa falta de perspectiva de melhora nas condições de segurança e acessibilidade dos trens transforma essa opção de transporte exclusiva apenas para parte da população – pouquíssimas são as pessoas com deficiência, cadeirantes ou aqueles que durante algum período da vida possui algum tipo de restrição motora que se arriscam a pegar um trem em uma dessas estações, onde as escadas dificultam a locomoção e, principalmente, os vãos entre a plataforma e as composições inviabilizam o acesso.
A situação é tão complicada e constrangedora, que mesmo quem não se enquadra nesse grupo de passageiros está sujeito a acidentes, como tropeções e quedas, principalmente quando os trens estão cheios. Cadeirantes, idosos e mães com filhos pequenos são os mais vulneráveis.
A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) afirma que está trabalhando para tornar todas as 92 estações estaduais acessíveis. Mas não se sabe quando isso irá, de fato acontecer. A morosidade no cumprimento de um cronograma das obras em execução e a falta de previsão dos serviços nas estações de Mogi das Cruzes prejudicam milhares de pessoas. O transporte ferroviário oferecido à população dos bairros da Capital e cidades da Região de Mogi das Cruzes chega a ser desumano. Ao fazer a baldeação em Guaianases, o cidadão sente na pele o desprezo e o abandono do Governo do Estado. Nos horários de pico e aos finais de semana, em algumas partidas, a superlotação provoca reclamações e conflitos, que só não são mais graves, porque a população ainda é muito cordial e a CPTM mantém um grande número de funcionários a postos para conter tumultos.
A situação das estações e dos trens não é compatível com o perfil do Estado de São Paulo – o mais rico do País. Como bem disse a presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Valeriana da Silva Alves, uma cidade acessível é uma cidade para todos. Valeriana não anda de trem porque não quer passar “vergonha, nem nervoso”. Mas os responsáveis pelo transporte ferroviário sabem: milhares de pessoas que dependem dos trens passam “vergonha e nervoso” todos os dias.

Deixe seu comentário