AÇÃO SOLIDÁRIA

‘Tricoterapia do Bem’ faz peças para doação na catedral de Santana

INICIATIVA Projeto social reúne mulheres na Catedral de Santana para confeccionar peças em tricô e crochê destinadas às crianças e idosos. (Foto: Elton Ishikawa)

“Aprender e ensinar é só compartilhar”. Essa é uma das cinco ‘regras’ do Tricoterapia do Bem, que acontece desde o dia 21 de janeiro na Catedral de Santana, em Mogi das Cruzes. Os encontros são realizados sempre às terças-feiras e o primeiro deles contou com nove participantes. Na última aula, esse número já havia aumentado para 23. Idealizadora do projeto, Jeruza Reis, ex-secretária da Mulher em Poá, espera que isso cresça ainda mais.

O nome da iniciativa já demonstra: além da prática do tricô e do crochê, o principal objetivo é fazer o bem. Por isso, as peças que forem confeccionadas nesses primeiros meses do ano já têm um destino certo para o inverno.

As infantis serão destinadas às crianças Santa Casa de Misericórdia e as toucas para os pequenos assistidos pela Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, a Tucca, em uma parceria com a Rede Feminina de Combate ao Câncer Guiomar Pinheiro Franco. Além disso, meias e cachecóis serão confeccionados para os idosos do Instituo Pró+Vida.

“Como tudo o que é feito durante as aulas será doado, nós precismos de pessoas que façam com carinho e amor. Ao final dos encontros o padre Cláudio sempre conversa com elas e diz que em uma vida corrida e atribulada como a que temos hoje em dia, as pessoas acabam esquecendo de serem solidárias. Esse projeto também é um resgate disso, porque a solidariedade não precisa ser só financeira. É possível doar seu tempo e é isso que fazemos por lá”, disse Jeruza.

Na realização do Tricoterapia ela conta com a parceria do padre Cláudio Delfino, pároco da Catedral de Santana. Sendo assim, outra das cinco regras da iniciativa é que todo o material utilizado na confecção seja cedido pela Igreja e que tudo o que é produzido precisa ser doado. As três normas restantes são: ter horário para começar e finalizar; não falar mal de ninguém para gerar energia boa àquilo que está sendo produzido e fazer cada ponto com amor.

Enquanto estava à frente da Secretaria da Mulher em Poá, Jeruza deu início às aulas por lá. A distância não era um empecilho para moradoras de Mogi que iam até a outra cidade do Alto Tietê para que pudessem participar. Hoje, elas estão felizes em estar mais perto de casa. “Uma delas é professora de tricô há 40 anos e com a gente aprendeu o crochê”, conta.

A experiência das alunas não se resume apenas à confecção das peças. Enquanto algumas sem saber nada de tricô e crochê outras já sabem e vão passando o ensinamento, parte do princípio de compartilhar aquilo que sabe. Outro ponto importante para quem está ali é a convivência.

“Em Poá tivemos exemplos de mulheres que estavam em depressão e conseguiram parar de tomar remédio depois do projeto. O tricô é realmente uma terapia incrível, porque você precisa usar os dois lados do cérebro, fica concentrada na contagem dos pontos e com isso vai esquecendo dos problemas. Elas ainda se sentem mais produtivas e têm uma tarde agradável”, concluiu Jeruza.

Padre destaca ‘investimento humano’ do projeto

O pároco da Catedral de Santana, padre Cláudio Delfino, não sabe ao certo quando o Clube das Mães foi extinto na igreja comandada por ele. O religioso, entretanto, diz que o Tricoterapia do Bem é um projeto com o “mesmo espírito”, que tem como alicerce a solidariedade.

“Muitas senhoras vinham nos procurar para saber se as aulas de crochê ainda estavam acontecendo. Hoje, elas têm a oportunidade de voltar para a igreja, lembrando de um projeto que durou durante 25 anos por aqui. Para elas, isso é muito importante e agregador”, comentou.

Na nova iniciativa as aulas acontecem às terças-feiras, das 14 às 16 horas. Depois, meia hora é reservada para que as participantes possam conversar, tomar um café e orar junto ao padre. “Para gente isso é um investimento muito grande e não um investimento econômico, mas sim um investimento humano. É uma partilha de trabalho e de vida, com o intuito sempre de ajudar”, ressaltou Delfino.


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