EDITORIAL

Triste sina

Mais para fossa do que para rio, o Tietê mostra os pontos de estrangulamento da poluição com o acúmulo de sujeira em trechos, como o mostrado em nossa reportagem, ontem, debaixo da ponte da Avenida Prefeito Carlos Ferreira Lopes, entre o Mogilar e o Jardim Rodeio.

Ali, aves como patos e garças costumam ancorar em cima de uma ilha de lixo, formada por pedaços de madeira, vegetação, plásticos e garrafas de água e refrigerante.

O alto volume da chuva leva para o rio a sujeira jogada pela população nas proximidades das galerias pluviais e nos córregos que encorpam o leito do rio. Além disso, há a alta carga da poluição residencial e comercial jogada sem qualquer tratamento no manancial.

O destino do Rio Tietê para ser a latrina das cidades foi traçado no passado, como nos lembra o engenheiro sanitário José Roberto Kachel, em entrevistas sobre a poluição do recurso hídrico que identifica geograficamente a região de Mogi das Cruzes.

Já no século XIX, as águas do Tietê eram consideradas inadequadas para o consumo e a opção escolhida pelos planejadores urbanos e políticos de São Paulo para o abastecimento da população foi utilizar as águas retiradas das cabeceiras das bacias dos rios Cotia, em um primeiro momento, e Claro, alguns anos mais tarde. A sina do Tietê assim foi decidida – receber o esgoto de São Paulo, que começava a crescer. E as cidades, no entorno, confirmaram o mesmo roteiro.

A muito custo, o rio no território território foi limpo três vezes desde a década de 1990. Apenas na primeira vez, o desassoreamento atendeu todo o percurso mogiano.

Falta ao Governo do Estado instituir como acontece na Capital um programa permanente de desassoreamento. Reservar recursos financeiros anuais, otimizar o licenciamento ambiental, ordenar de uma vez por todas o que tem feito à meia boca, sem atingir os objetivos esperado: salvar o rio Tietê da morte.

O serviço feito à base do conta-gotas dá no que deu – nem bem a limpeza parcial foi feita e a imagem do lixo acumulado no Jardim Rodeio confirma a negligência e o descaso do estado com o meio ambiente.

O Rio Tietê é uma peça do tabuleiro que garante a qualidade de vida a Mogi das Cruzes. Ele faz parte da zona de amortecimento da forte ocupação imobiliária porque interliga as serras do Itapeti e do Mar. É peça na cadeia de proteção da fauna e flora responsável pelo equilíbrio da natureza, do clima, pela condição saudável do ar, da vida de todos homem, bicho, planta. Mas, isso, parece só importar ao cidadão que não joga lixo na rua, nem no rio, nem no terreno do vizinho.