ATRASOS

Troca de sistema gera demora no atendimento do Hospital Luzia de Pinho Melo

FUTURO Os 22 novos leitos de UTI deverão atender pacientes de outras especialidades no Hospital Luzia. (Foto: arquivo)
FUTURO Os 22 novos leitos de UTI deverão atender pacientes de outras especialidades no Hospital Luzia. (Foto: arquivo)

Pacientes do Hospital Luzia de Pinho Melo, no Mogilar, relatam demora de horas para conseguir passar pela consulta médica. O problema, segundo apurou a reportagem com uma fonte ligada aos profissionais de saúde, foi a implantação de um sistema informatizado, que vai desde a abertura da ficha médica, ao atendimento, exames e medicação, sem o treinamento dos profissionais para manuseá-lo. Esse seria o motivo do atraso nos atendimentos.

O Luzia de Pinho Melo é um dos poucos hospitais do estado que ainda realizava o atendimento com ficha manual e passou pela modernização recentemente, porém, não houve período de teste e tampouco o treinamento adequado dos profissionais.

“Em uma época de pandemia da Covid-19, a estratégia foi totalmente errada, porque está gerando aglomeração. Os médicos estão tentando dar um jeito, mas chegam até a serem ameaçados quando vão chamar as pessoas para o atendimento, porque o corredor de espera está cheio”, comentou uma fonte a O Diário.

O diretor clínico do hospital Luzia de Pinho Melo, Luiz Carlos Barbosa, disse que a informação da falta de capacitação não procede. Segundo ele, a unidade já contava com um sistema informatizado desde a sua instalação, mas que houve a troca da tecnologia na última semana, por uma mais robusta, chamada Tasy, a mesma existente em outros hospitais particulares da capital.

“O pessoal foi treinado. Na segunda-feira deu um problema porque, às vezes, o sistema trava e houve um atraso no atendimento, mas nada de dez horas como algumas pessoas dizem. Ninguém implanta um sistema de um dia para o outro. Estamos há um tempo com este processo. É provável que tenha alguma dificuldade na implantação. Porém, há uma equipe técnica por 24 horas no hospital para sanar qualquer problema que ocorrer. Esse é um sistema robusto e abrange todo o hospital. Mas pode acontecer, uma vez ou outra, da ficha na recepção não chegar ao médico”, diz.

Barbosa explicou que a mudança ocorreu porque o processo anterior não contava com o prontuário eletrônico. Com a ferramenta, o paciente chega ao consultório e o médico consegue consultar os exames, por exemplo, na hora.

“Pedimos desculpas por isso. Mas eu não posso prever se não vai acontecer de novo. O sistema depende de internet e é computadorizado, então pode voltar a acontecer. Mas nós estamos trabalhando para que isso não ocorra. Estamos em uma época em que o movimento não está enorme, então o impacto é menor”, pontua.

Comitê decide manter visitas suspensas

Outra reclamação recente em relação ao hospital é referente à falta de visitas aos pacientes que estão internados no hospital, sem a Covid-19. Um decreto do estado de 13 de julho permitiu que os familiares e religiosos pudessem retomar as visitas. No entanto, segundo o diretor, não há previsão de quando elas serão permitidas na unidade.

Ele explicou que como o hospital não está trabalhando só com a Covid-19 e os funcionários verificaram que os demais pacientes estavam se contaminando por meio das pessoas que iam visitá-los ou já chegavam com o novo coronavírus.

“Nós verificamos que 17% dos pacientes que iam operar em atendimentos eletivos também estavam com o vírus, então nestes casos nós suspendemos as cirurgias e as visitas. Temos um comitê aqui que acompanha a situação e até agora a decisão foi ainda não liberar e um boletim está sendo informado pelo telefone para os parentes”, disse Luis Carlos Barbosa, diretor do Hospital Luzia.

Ele avalia que a internação da ala de Covid-19 tem diminuído. Segundo ele, após o fim da pandemia, os 22 leitos de UTI destinados aos pacientes com a doença serão mantidos para atender as demais patologias. Até o momento, não há uma previsão sobre quando isso deve ocorrer.

Paciente sem Covid-19 perde leitos em hospital

O gerenciamento do atendimento durante a pandemia levou a Santa Casa de Misericórdia de Mogi das Cruzes a direcionar leitos de outras especialidades para assistir pacientes testados com a Covid-19. Com isso, houve uma redução de vagas em especialidades como ortopedia, neurocirurgia e clínica médica. A Secretaria Municipal de Saúde informa que mantém assistência exclusiva a doentes com o novo coronavírus no Hospital Municipal de Braz Cubas.

Segundo a direção da Santa Casa, a mudança ocorre em caráter excepcional e já há uma perspectiva de diminuir progressivamente os casos de pacientes com a Covid-19 e retomar, de maneira gradativa, as atividades rotineiras às outras especialidades.

“A Santa Casa não é um hospital Covid, mas por possuir um Pronto-Socorro de porta aberta não pode negar atendimento a todos aqueles que nos procuram. Recebemos um número significativo de pacientes com síndrome gripal suspeita de infecção por Covid. Todos recebem atendimento e são devidamente inseridos na Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) em busca de vaga em hospital referenciado para a Covid-19”, esclarece nota enviada a O Diário.

A busca por informações sobre o atendimento aos hospitais surgiu de uma dificuldade encontrada pela família de um idoso, que pediu para ter o nome não identificado, no final de semana. Ele teve de permanecer em uma unidade de saúde de 24 horas, até o encontro de uma vaga para internação na cidade.

Em reposta, a Secretaria Municipal de Saúde destacou que o Hospital de Braz Cubas segue como Centro de Referência do Coronavírus para atendimentos ambulatoriais, exames, internações e terapia intensiva, com retaguarda do Hospital de Campanha, e nega que haja superlotação nas unidades básicas e nas Upas (Unidades de Pronto Atendimento).

Os números da pasta mostram redução de 48% no total de atendimentos, na comparação entre maio a julho deste ano, em relação a mesmo período de 2019, de 138.410 para 71.745 atendimentos.

Porém, apesar disso, a Secretaria admite que existem situações pontuais e picos de maiores demandas nas unidades, quando as transferências de pacientes, com suspeita de Covid, por exemplo, dependem da regulação da Cross.

“Desde o início da pandemia, a principal dificuldade ocorre no gerenciamento de leitos Covid e não-Covid nos hospitais, tais como: leitos originariamente destinados a algumas especialidades agora ocupados por pacientes com o novo coronavírus; represamento de cirurgias e algumas doenças clínicas que devem ser isoladas”, argumentou a pasta.


Deixe seu comentário