EDITORIAL

Um apelo ao governador

A taxa de mortalidade dos pacientes internados no Alto Tietê e em Guarulhos para tratar a Covid-19 é a maior entre as seis regiões da Diretoria Regional de Saúde (DRS) -1. Uma situação que somente pode mudar com a intervenção direta do governador João Doria.

Se até os últimos dias, os índices de ocupação dos leitos e a estrutura pronta para ser colocada em funcionamento vinham apontando para uma certa estabilidade, os olhares se voltaram, nesta semana, para a necessidade de se reduzir a curva de óbitos.

A taxa regional de letalidade praticamente esbarra em 10%, com um índice de 9,8%, enquanto as demais regiões têm o seguinte retrato: Franco da Rocha 9,6%; Mananciais 8,4%; São Paulo 7,9%; e Grande ABC 7,1%. Uma diferença que pode ser assim medida: a cada 100 pacientes da região, 10 estão morrendo, enquanto no ABC, esse número é 7.

No mundo, a taxa de mortalidade pela Covid-19 está em cerca de 2,7%. No Brasil, por conta da subnotificação e a falta de testes, hoje, a letalidade é de 8%.

Uma das razões para isso talvez resida na demora no acesso a um leito hospitalar, o que também explicaria a situação relativamente confortável na ocupação das vagas especialmente nos meses anteriores. Hoje, não mais.

Nesta semana, esses absurdos foram discutidos em uma reunião entre os prefeitos integrantes do Consórcio de Desenvolvimento do Municípios do Alto Tietê (Condemat), o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann, e o procurador Guilherme Rocha Göpfert, do Ministério Público Federal.

O Condemat tem pressionado uma mudança de postura em relação ao Alto Tietê. A demora na concretização dos planos de ampliação de leitos de enfermaria e de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é inaceitável.

O drama regional fica ainda mais angustiante quando se observa os prazos dados pelo secretário Germann. Na prática, a abertura dos leitos ocorrerá em meados de junho – se tudo der certo. Ou seja, o Alto Tietê seguirá deserdado, até lá, das condições de tratamento e cura dos doentes. Essa demora nos lega uma conta trágica.

É preciso apelar para o governador João Doria. E a razão é simples: a promessa de leitos e respiradores foi feita em março – no início dos casos da Covid-19 – e esse atraso reflete diretamente em vidas já perdidas ou que poderão se findar nas próximas semanas.


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