EDITORIAL

Um desafio gigantesco

“Além de concluir o Parque Ecológico do Tietê, é preciso despoluir o rio”

A construção do Parque Ecológico do Tietê é um exemplo acabado da distância entre um projeto público lançado para abafar cries, seduzir eleitores, e a execução propriamente dita do que está no papel. A lembrança foi destaque na coluna Informação, na edição de terça-feira última. Lançado em abril de 1976, o PET chegou apenas até Itaquaquecetuba, com a conclusão de dois grandes equipamentos (em Engenheiro Goulart e na Vila Jacui, este último, ainda em fase de implantação).

Não se tem notícias sobre quando as demais cidades a serem contempladas com o parque linear terão suas várzeas revitalizadas (Suzano, Mogi e Bitiriba Mirim).

Em Mogi das Cruzes, em breve, esse corredor ambiental ganhará belíssimo impulso, com recursos financiados pelo CAF (Banco de Desenvolvimento de Américas Latina), em uma iniciativa da Prefeitura Municipal. O programa +Mogi EcoTietê prevê a construção de dois parques no entorno do Rio Tietê, e a ampliação do Centenário.

Será uma iniciativa que acrescerá mais alguns quilômetros de parque à várzea do Tietê, porém, por empenho e risco da prefeitura, e não do governo do Estado – que lógico, será parceiro na iniciativa em questões burocráticas como o processo de licenciamento ambiental. Afinal, o Parque Linear do Tietê passará por Mogi das Cruzes.

Tudo isso para comentar sobre a lentidão do estado na construção de um patrimônio ambiental muito esperado para devolver ao rio a vida e, na sequência, promover a conexão entre a natureza e a população. Além de ser concluído, o parque linear irá reaproximar as pessoas do Tietê, quando ele estiver despoluído. Sujo, malcheiroso e morto em grande parte de seu corpo, o rio continuará afastando o cidadão de suas margens e desvalorizando a vida nas cidades. Ou seja, o desafio pela frente, pelo que se vê, será gigantesco.


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