ARTIGO

Um dia chegaremos lá…

Perseu Gentil Negrão

Tirei férias e fui passear na Califórnia, com minha querida esposa (a melhor companhia possível). Quando o avião se aproximava de Los Angeles (a segunda maior cidade dos Estados Unidos), constatei que ali há menos prédios de apartamentos do que em Mogi das Cruzes (atenção senhores especuladores imobiliários e vereadores que querem destruir a Vila Oliveira). De Los Angeles rumamos para o “Sequoia National Park”, onde vivem as maiores e mais velhas árvores da Terra. Um deslumbramento ver as imensas árvores, com mais de 3.000 anos e passando dos 60 metros de altura. Os parques nos Estados Unidos são bem cuidados e acessíveis (por lá as leis ambientais não são tão inflexíveis como as nossas). Em seguida, fomos conhecer o “Yosemite National Park”. Perdoem pela quase blasfêmia, mas o Criador caprichou no lugar. Cachoeiras, montanhas, uma beleza indescritível.

Na sequência, alguns dias em São Francisco que, sozinha, recebe mais turistas que o Brasil inteiro (alguma coisa está errada!). Depois, percorremos a lendária “Highway 1”, que liga São Francisco a Los Angeles. A estrada que acompanha a costa da Califórnia é muito bem cuidada e não há construções irregulares nas suas margens (ao contrário da nossa “Rio-Santos”).

Próximo a Los Angeles, fomos a um “Outlet” (imenso), na pequena cidade de Camarillo. Enquanto minha querida esposa “garimpava” roupas (com o dólar à preço de ocasião), descobri um oásis. Um “Starbuks”. Enfrentei a fila (como sempre) e pedi um “double espresso”. Ao entregar o dinheiro para a atendente, fui surpreendido com a resposta: “The cashier machine is broken. It’s free for today” (a máquina registradora está quebrada. É livre hoje). Em seguida, a mocinha apontou o balcão, para que eu aguardasse. Enquanto esperava o café, observei que todos estavam consumindo de graça, mas sem abusos. Será que um dia isso ocorrerá no Brasil? Sou otimista. Creio que em 200 anos chegaremos lá.

Fiquei um pouco desapontado, porque, mais tarde, voltei no “Starbuks”, na esperança de um “ranguinho free”, mas a máquina registradora fora consertada e “morri” com alguns dólares.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo

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