EDITORIAL

Um dia no Parque

Pela primeira vez, o Parque Municipal Natural Francisco Affonso de Mello, o Chiquinho Veríssimo, abrirá de segunda-feira a sábado para receber visitantes, sem a necessidade de fazer a agenda do passeio. O acesso à reserva municipal se dá por meio de um agendamento prévio. Mas, nestas férias, qualquer pessoa poderá ir ao local. A mudança mira combater o esvaziamento do interesse pelas visitas ao Parque – via de regra, nos finais de semana, o lugar recebe apenas entre 20 e 40 pessoas, um número inferior aos 120 visitantes que podem circular por dia no local, de acordo com o plano de manejo de ocupação e uso da área de preservação.

Fechado desde o final dos anos 1990, por força de um acordo firmado pela Prefeitura e o Ministério Público, o Parque Municipal é um bem público destinado à pesquisa, preservação e educação ambiental. No decorrer dos anos, as políticas de atração de visitantes variaram, e somente agora, o governo Marcus Melo (PSDB) busca vitaminar a agenda de visitas e a fidelização dos frequentadores.

Há 18 anos, as restrições de uso do Parque Municipal desfizeram os laços afetivos e turísticos que eram mantidos com os mogianos. As pessoas mais velhas se lembram de um parque completamente diferente do atual e os mais novos, nem o conheceram.

Ele já foi uma referência de lazer em meio à Mata Atlântica, num tempo em que a preservação ambiental praticamente inexistia. Por isso, possuía dos maiores e mais bonitos teleféricos da Região Metropolitana, que permitia a subida até um dos pontos mais altos da Serra do Itapeti, além de atrações, como quadras esportivas, pedalinhos em lagos artificiais e espaços e trilhas para entretenimento e lazer, inclusive, churrasqueiras.

O grande poder de atração de pessoas, com o recebimento de até 5 mil pessoas nos finais de semana e feriado, foi o que determinou o redirecionamento do uso do lugar.

O problema é: a partir dessa decisão, e da falta de um melhor diálogo entre os pesquisadores e responsáveis pelo Parque e o público, ele se tornou desinteressante para a maioria das pessoas. Por isso, com custo, os responsáveis pelo Parque Municipal conseguem atrair 40 visitantes.

Faltou, nesse tempo todo, uma política que atendesse à necessidade de realmente preservar a fauna e a flora do local, mas também desenvolver a vocação ambiental do lugar. O resultado não poderia ser outro. Nem as escolas públicas e privadas, e até as universidades, se apropriaram como deveriam das riquezas e potenciais que um parque natural oferece para o desenvolvimento de pesquisas e laboratórios de disciplinas que vão da biologia e química, à história e cultura. Algo que nem mesmo a abertura diária, até o próximo dia 2 de fevereiro, redime; mas, pelo menos, recoloca o assunto no noticiário.