EDITORIAL

Um forte aliado

Cocuera se mantém como um dos núcleos rígidos da produção agrícola de Mogi das Cruzes, após a descentralização do plantio de verduras, hortaliças e frutas pelo território da cidade entre o final do século passado e o início deste.

Foram morar ali as pioneiras famílias japonesas que se livraram das imposições desleais dos primeiros contratos assinados pelos imigrantes que chegaram ao Brasil há 110 anos. Esse dado constrói o espírito guerreiro do Cocuera.

Ali, essas famílias venceram as barreiras do desconhecimento da língua portuguesa, dos costumes e da vida brasileira para viver uma jornada de sobrevivência de sucesso.

Na descoberta dos segredos do solo e do clima, a primeira leva de agricultores acertou e errou, perdeu e ganhou e conseguiu construir um mercado produtor hortifrutigranjeiro. Mogi das Cruzes é reconhecida por integrar o Cinturão Verde do Alto Tietê. Deve isso aos agricultores do Cocuera e de outros bairros agrícolas.

Tudo isso deve ser creditado às primeiras famílias de agricultores japoneses que se pautaram pelo cooperativismo. Neste 2019, ano do centenário da imigração japonesa na cidade, mesmo com o fim de muitas propriedades rurais e a saída do campo dos filhos dos primeiros moradores, a Associação dos Agricultores do Cocuera é uma expressão política, social e cultural de peso.

Prova isso, aliás, ao realizar o Festival Agrícola, em tempos de dificuldades econômicas muito sentidas no campo. Manter essa confraternização é um sinal de resistência em um bairro em mudança nas formas de seu uso e ocupação.

Também por isso, o tom político de defesa do agronegócio local tem valor diferenciado. A Associação dos Agricultores do Cocuera também diz não à instalação de pedágio da Rodovia Mogi-Dutra, proposto pelo Governo do Estado, na figura da Agência de Transportes do Estado de São Paulo. A cobrança de mais um pedágio vai encarecer a produção rural, como sublinhou o prefeito em exercício, Juliano Abe.

O movimento contra a instalação do pedágio ganha um parceiro de valor – a agricultura.

Mogi das Cruzes possui 2 mil produtores rurais, que respondem por 35% do abastecimento do mercado paulista, e 5% do consumo do Rio de Janeiro.

O impacto do pedágio incidirá no preço da produção e, evidentemente, dos produtos nas gôndolas de feiras e supermercados.  Um dado que qualifica e fortalece os argumentos contra a instalação do pedágio em Mogi das Cruzes.


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