Um homem bom

Cresci em uma família pequena. Os avós maternos não conheci, pois morreram antes do meu nascimento. Os tios maternos moravam em São Paulo e a distância nos separou. Os avós paternos se foram logo. Meu único tio paterno e sua esposa já faleceram, deixando uma única filha. Papai e Mamãe também já me deixaram. Restaram apenas dois irmãos. Mas, “Deus não me deve nada”. Sou casado com uma linda mulher (pescarias garantidas), ótima esposa e mãe perfeita das minhas excelentes filhas. Adotei e fui adotado pela família da minha esposa, dentre eles o Tio Emílio Giner, que é casado com a querida Tia Emília (coincidência de nomes e de virtudes).O Tio Emílio dedicou grande parte de sua vida protegendo a sociedade, como Guarda Civil e Policial Militar. Sempre cumpriu a lei, sem ser áspero; nunca se tornou arrogante, desatencioso, descortês. Sabia conviver e tratar com os grandes e com os pequenos. Era respeitado, não por seu posto, mas por sua dignidade. Convivendo com as mazelas da sociedade, jamais perdeu a fé no ser humano. Após reformar-se (enorme perda para a corporação), passou a dedicar-se a duas entidades assistenciais (de uma delas foi presidente por muitos anos).
Uma vez por mês o Tio Emílio passa em minha casa para recolher uma pequena contribuição. Insisto para que tome um café e, assim, desfruto de sua companhia por preciosos minutos. Gosto de ouvir sua prosa rica, sua demonstração de fé em Deus e nos homens. Vou propor ao Tio Emílio que minhas doações sejam semanais, para aumentar o prazer de sua companhia.
As festas familiares são mais alegres com a presença do Tio Emílio, pois ele é puro, desprendido e gosta da vida. Os sobrinhos adoram brincar com o Tio, apenas para ouvi-lo dizer: “Tudo bem em casa? E a Mamãe, está bem?”. Semana passada (meu aniversário), dentre outras coisas, ganhei a companhia do querido Tio (e umas cocadinhas da Tia Emília, feitas com um ingrediente mágico chamado carinho).
O Tio Emílio é um exemplo (difícil) a ser seguido: generoso; amigo presente; marido perfeito; pai e avô dedicado; religioso (sem ser fanático). Defino-o com apenas três palavras: um homem bom.
Tio Emílio, agradeço por me adotar como sobrinho.

Perseu Gentil Negrão é procurador de Justiça do Ministério Público de São Paulo


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