EDITORIAL

Um mundo à parte

Quase dois meses após o endurecimento das medidas de isolamento social para prevenir o novo coronavírus, está dentro dos nossos asilos o trunfo da política sanitária da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ao mesmo tempo, também é encontrado dentro dessas casas o pior dos inimigos desde que a pandemia se instalou no mundo: a vida solitária, sem a presença e o abraço das visitas ou o respiro de um passeio ao ar livre.

Em nossas 12 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), até agora, o isolamento completo está sendo apontado como a causa de não ter sido notificado nenhum caso suspeito da Covid-19.

Medidas drásticas foram tomadas, como o fim das visitas e dos passeios, e uma rotina de trabalho espartana determinada pelos gestores e Vigilância Sanitária Municipal: funcionários trocam de roupa quando chegam, usam máscaras, evitam ao máximo o contato físico com os assistidos.

Os resultados são os preconizados pela ciência: a redução dos riscos de contaminação barra o acesso do novo coronavírus às pessoas. Asilos de várias partes do mundo têm registrado mortes e casos confirmados. Aqui, felizmente, ainda não.

O fim das visitas está sendo levado tão a sério que nem mesmo as pessoas que levam doações estão sendo recebidas. As instituições optaram por salvar vidas, depois cuidar das finanças. E enfrentam um reflexo temeroso – a maioria delas depende dos donativos para manter a assistência. No caso do Pró+Vida, até mesmo os bazares e a lanchonete, que mantêm o caixa da instituição, foram fechados.

Ou seja, obrigatoriamente, o poder público terá de auxiliar essas casas no futuro próximo. O atendimento a quem já tem a saúde debilitada pelo passar do tempo possui custos diários altíssimos.

Novas internações também foram suspensas, justamente para proteger quem já está nesses endereços de novos pacientes. Isso abre outra preocupação. Como ficarão os idosos na fila de espera? Vão esperar por quanto tempo mais? Quantos serão nessa fila, ao fim da pandemia?

Por último, ao saber sobre esse pequeno mundo isolado de todo o resto, vem uma esperança. A determinação dos trabalhadores em cuidar da vida dos assistidos é um valoroso exemplo de humanidade e de responsabilidade social que a cidade colhe o melhor desses dias tão duros.


Deixe seu comentário