PROJETO

Um mutirão em estilo japonês vai limpar centro de Mogi

REFERÊNCIA Equipe de voluntários do Revitaliba 2017 que limpou 5 quilômetros de ruas na Liberdade. (Foto: divulgação)
REFERÊNCIA Equipe de voluntários do Revitaliba 2017 que limpou 5 quilômetros de ruas na Liberdade. (Foto: divulgação)

Quem não se recorda das cenas mostradas pela televisão, durante a Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, onde japoneses apareciam limpando a sujeira dos estádios, logo após o término dos jogos de sua seleção de futebol?

Pois elas serão repetidas, num outro contexto, em Mogi das Cruzes, no próximo dia 31 de agosto, véspera do aniversário da cidade, durante um mutirão que irá reunir integrantes da colônia japonesa mogiana, para uma limpeza geral nas ruas da região central do município. O trabalho deverá ser efetuado a partir de algumas das principais praças da cidade, como João Batalha, Largo do Bom Jesus, Largo do Carmo e outras, em direção ao Largo do Rosário, no centro.

Todas as atividades serão acompanhadas de perto pelo cônsul do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, e levarão o nome de Revitaliba Mogi, numa referência ao bairro da Liberdade, em São Paulo, primeiro local a organizar algo desse tipo, com grande sucesso.

O evento deverá acontecer entre às 7 e 10 horas, justamente para aproveitar o período em que o comércio ainda está fechado. Quando as lojas se abrirem, o trabalho já deverá estar concluído. Além da varrição, os participantes pretendem retirar o mato das ruas, promovendo uma limpeza em regra por toda a área central.

Todo esquema de trabalho foi discutido e definido em recente reunião na capital, envolvendo Reiko Nakamura, cônsul para Assuntos Políticos e Gerais do Consultado do Japão em São Paulo; Rodolfo Wada e Hugo Takeji Teruya, respectivamente presidente e secretário-geral da ONG JCI Brasil-Japão; juntamente com o presidente do Bunkyo de Mogi, Frank Tuda, o vice Roger Kayashima, e o vereador Pedro Komura (PSDB).

Segundo Komura, a atividade será uma homenagem à cidade que, no dia seguinte, irá completar 459 anos de fundação, devendo marcar também o início das comemorações do 100º aniversário da Imigração Japonesa para Mogi das Cruzes.

“Mas o objetivo maior será a semente que vamos lançar com objetivo de conscientizar a população mogiana da importância de se manter a cidade limpa, a exemplo do que acontece no Japão e em outros países onde existe esta consciência de participação comunitária em favor do bem comum e da vida em sociedade”, afirma o vereador.

O Bunkyo e demais organizadores do evento – JCI Brasil-Japão e Consulado Geral do Japão – já estão iniciando o processo de mobilização dos vários setores da colônia japonesa da cidade, trabalho facilitado pela organização da comunidade nos diferentes bairros rurais e na área urbana de Mogi.

Cerca de 300 pessoas deverão tomar parte do evento, de acordo com Komura.

Iniciativa já é realizada na Liberdade

A ideia de trazer para Mogi das Cruzes um evento que vem sendo realizado, com muito sucesso, na Liberdade, bairro que tem a maior concentração de imigrantes japoneses e descendentes da Capital, está sendo resultado direto da visita que o cônsul do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, fez à cidade durante as festividades do Akimatsuri, a já tradicional Festa de Outono, que o Bunkyo promove anualmente no bairro da Porteira Preta, com efetiva participação da colônia japonesa mogiana.

A proposta é repetir o sucesso da iniciativa paulistana, fazendo com que trabalho semelhante venha a se tornar um hábito em Mogi, onde já existem algumas ações comunitárias de excelentes resultados, como as realizadas por igrejas budistas em diferentes pontos da cidade. O próprio vereador Pedro Komura promove a limpeza, retirando lixo que se acumula na praça do Oito, conhecido ponto de caminhada de moradores da região do Parque Santana.

Algumas experiências comunitárias esporádicas, também já foram realizadas no Parque da Cidade, além de outras ações isoladas, como a limpeza das margens da Barragem de Taiaçupeba e das margens do córrego do Gregório, no distrito de Braz Cubas.

Tradição

Os japoneses costumar trazer seus hábitos e cultura por onde passam, costume que é passado de geração em geração. “Com isso, queremos reaproximar a juventude nikkei dos valores japoneses de manter os ambientes de convívio comum preservados, como ruas, praças e parques, partindo do princípio, segundo o qual, ‘quem limpa, não suja’, reforçando a necessidade para que a formação de pessoas tenha base no valor do trabalho feito em prol do bem-estar geral”, como mostra a base do trabalho feito em São Paulo, no bairro da Liberdade.

Lá, o movimento realizado em 2017 contou com cerca de 400 voluntários, com apoio de mais de 20 estabelecimentos comerciais e 5 km de vias limpas. O número vem se mantendo, com poucas variações na edição seguinte, realizada no ano passado.

A JCI (Junior Chamber International), Câmara Internacional de Jovens, ONG que estará participando da organização do Revitaliba Mogi, foi fundada em 1915, nos Estados Unidos, por Henry Giessembier, com a missão de “proporcionar oportunidades de desenvolvimento que preparem os jovens para a promoção de mudanças positivas no mundo onde ele vive”. A ONG hoje marca presença em mais de 100 países, com mais de 5 mil unidades locais, 200 mil membros voluntários e muitas organizações parceiras.

No Brasil, a JCI chegou em 1955. Foi fundada no Rio de Janeiro e sediada em Curitiba. Tem presença em cinco estados das regiões Sul e Sudeste do País, com 900 membros voluntários, que desenvolvem projetos como Oratória nas Escolas e Pense Hanseníase agora, em conjunto com o Morhan (Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase).

Já a JCI Brasil-Japão foi fundada em 1982 pela Câmara do Comércio e Indústria Japonesa no Brasil, com sede no Bunkyo de São Paulo. Mantém parcerias com inúmeras entidades e empresas japonesas que atuam no Brasil e que se tornaram patrocinadoras das edições do Revitaliba, na Liberdade, em São Paulo.