OVERDRIVE

Um novo espaço para bandas independentes em Mogi

COMANDO Camila Dorizio, Marcelo Nespoli e André Marques estão à frente do novo espaço, que recebe amanhã a banda Motocontínuo com o EP “Fotonovela no Espelho”. (Foto: Divulgação)
COMANDO Camila Dorizio, Marcelo Nespoli e André Marques estão à frente do novo espaço, que recebe amanhã a banda Motocontínuo com o EP “Fotonovela no Espelho”. (Foto: Divulgação)

Ter em Mogi das Cruzes uma casa para as bandas independentes, onde não há discriminação e que funcione ainda como um centro de cultura é o objetivo dos sócios Camila Dorizio, André Marques e Marcelo Nespoli. Eles inauguram nesta sexta-feira o Overdrive. A primeira festa do espaço foi intitulada de ‘Roza Asul’ (grafia adotada propositalmente) e acontece a partir das 22 horas. “Já vamos fazer essa para mostrar que a gente não aceita distinção de gênero e que vamos trabalhar de forma democrática”, conta Camila.

Isso porque no evento cada participante poderá escolher duas músicas assim que fizer a comanda na entrada. O estilo musical pouco importa, o que eles buscam é que todos possam aproveitar a noite e escutar aquilo que gostam. Desta forma, as escolhas vão tocando ao longo da festa de maneira aleatória. No convite ao público os organizadores já deixam claro que o único filtro será o do respeito.

No sábado, às 22 horas, a programação continua com dois shows que marcam a estreia do palco da nova casa. De Mogi, a banda Motocontínuo faz lá o lançamento do EP “Fotonovela no Espelho”. A outra apresentação fica por conta da Manual, de São Paulo, também com músicas autorais. O som não para e a noite conta ainda com a discotecagem de Gabriel Coiso.

“A nossa primeira intenção sempre foi dar esse espaço para a música independente e isso está repercutindo bem na internet. Existem bandas até de outros estados que já procuraram a gente porque querem tocar aqui. Então, nossa expectativa para essa inauguração é ótima. Nas redes sociais o retorno tem sido bastante positivo”, afirma a proprietária.

Para terminar o final de semana, o espaço reabre no domingo, a partir das 18 horas, com um tributo ao Iron Maiden feito pelos mogianos da Maiden Brasil. A banda aproveita ainda para comemorar os 20 anos de carreira. Além dos três dias de evento, outras atrações têm presença confirmada no lugar. É o caso da Molho Negro, grupo de Belém do Pará que este ano se apresentou no Lollapalloza e estará no Overdrive no dia 21 de julho.

Início

“O André sempre foi produtor musical, tem estúdio e produz bandas autorais. O Marcelo também tem banda. Eu sempre participei da cena autoral e comecei organizar alguns eventos em outra casa de Mogi. A partir daí, eu e o André já pensamos em abrir alguma coisa. Conversando com o Marcelo ele fortaleceu a ideia e viramos um trio”, relembra Camila.

O Overdrive vai funcionar na Rua Doutor Ricardo Vilela, 168, no Centro. Ou seja, está perto da estação de trem e tem diversos pontos de ônibus no entorno. Com o lugar decidido, os sócios precisavam de verba para deixar tudo como imaginaram e, por isso, colocaram no ar uma vaquinha on-line. Sem muita adesão financeira, conseguiram a colaboração ganhando equipamentos – como iluminação e caixas – e também com a ajuda de amigos nos serviços que precisavam ser feitos por lá, como a pintura.

Com os eventos que já começaram a ser produzidos a intenção é arrecadar a verba necessária para deixar tudo como eles desejam. Hoje, cabem no local cerca de 100 pessoas. A expectativa é de que com o dinheiro em mãos – e também com todas as autorizações da Prefeitura – esse número aumente para 200 pessoas nos próximos dois meses.

Para famílias

Sendo uma das poucas mulheres em Mogi à frente de um bar, Camila acredita que o público feminino poderá se sentir mais confortável na casa. Por isso, pensa também em fazer eventos para as famílias. É o caso da festa junina que deverá ser organizada até o final deste mês, com cama elástica, pula-pula e piscina de bolinhas para as crianças. “Também queremos que o espaço seja um ambiente educador, onde as pessoas aprendam a lidar com o próximo. A ideia sempre foi ter as bandas, mas vamos deixar o espaço aberto para qualquer manifestação cultural”, finalizou.