EDITORIAL

Uma boa notícia

A caminho de três anos, a Pinacoteca conforta a cena artista mogiana e regional

Após dois meses, a Pinacoteca de Mogi das Cruzes será reaberta hoje com a exposição Olhar Feminino interrompida em abril quando a tentativa de furto da imagem de Nossa Senhora da Conceição determinou o fechamento do espaço.

A Pinacoteca está localizada em um espaço de grande interesse para a preservação histórica, um prédio tombado como patrimônio público, no número 993 da Rua Coronel Souza Franco.

A caminho de completar três anos, a Pinacoteca conforta a cena artística mogiana e regional com a manutenção de um espaço dedicado ao artista plástico, com acervo próprio e agenda de mostras, encontros e exposições. E isso acontece em um momento de grande simbologismo para a cultura, marcada por grandes perdas de investimentos, receitas e fomentos.

Ter um espaço para exposições é um luxo, na toada atual.

A reativação das exposições acontece após reformas e a instalação de câmeras de monitoramento, interligadas à Central Integrada de Emergências Públicas, o Ciemp. Uma resposta esperada para uma falha descoberta da pior forma possível.

A garantia da segurança dos frequentadores e das peças ali expostas era condição exigida após o grande susto levado por todos, em uma tarde de abril, quando os funcionários notaram o desaparecimento da peça sacra rara e valiosa do século XVII, cujo autor, indicam os especialistas, é o principal escultor de santos barrocos, frei Agostinho de Jesus. Por força dos santos ou do acaso, a imagem foi encontrada um dia depois, na própria Pinacoteca, mas a suspeita de que ela teria sido guardada para ser levada do acervo permanece. Aliás esse é um mistério que deveria ser bem explicado.

De todo modo, a notícia sobre a reabertura da Pinacoteca é muito boa porque blinda Mogi de perder tal conquista. Sobretudo pelo passado do poder público. Muitos serviços públicos costumam sair de cena, logo após os primeiros percalços – o que, no caso, penalizaria um instrumento público de arte, cultura e educação conquistado a duras penas pela classe artística.

Até a inauguração da Pinacoteca, os artistas acomodavam suas exposições em endereços inadequados, emprestados, mal ajambrados. Eles lutaram décadas para ter um teto para si, para a arte mogiana.

Nesse ponto, há de se reconhecer o acerto da decisão política do secretário Mateus Sartori. Primeiro em investir na Pinacoteca (que, como tudo na vida pública também foi alvo de ataques), e, agora, em não abandoná-la.