EDITORIAL

Uma difícil realidade

A aglomeração de pacientes na fila de espera pelo atendimento na Farmácia de Alto Custo de Mogi das Cruzes, em frente ao prédio da Prefeitura e da Câmara Municipal, reflete o pior da excepcionalidade criada pela pandemia do novo coronavírus, o Covid-19.

Muito embora medidas, regulamentações e decretos governamentais estejam sendo tomados de maneira surpreendentemente rápidas, a realidade encontrada pela população, nas ruas e nos serviços públicos, está muito aquém do esperado.

O Governo do Estado já prometeu ampliar o suprimento dos medicamentos entregues nas unidades municipais para ampliar a cota de remédios e outros suplementos para até três meses. Porém, na prática, pacientes que já estavam sem os produtos em casa são obrigados a permanecer nas filas porque não podem interromper o tratamento.

Locais como a Farmácia de Alto Custo precisam ser tratados como uma prioridade porque são procurados pela parcela da população mais vulnerável a todas as doenças – que dirá a provocada pelo Covid-19.

Esse caso específico é inaceitável porque o atendimento ao público desse serviço é problemático há bem mais tempo na cidade. Nesse ano mesmo, em visita a Mogi, o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann Ferreira, verificou pessoalmente as condições inadequadas do prédio para o atendimento ao publico. Ele prometeu, mas não resolveu a questão. Até hoje, a mudança de endereço não aconteceu e o que se vê é o agravamento de algo que já não ia bem.

É urgente que as autoridades revejam o modelo de assistência na Farmácia de Alto Custo. Todos os riscos de contaminação precisam ser adotadas agora.

Falhas como essa reforçam quanto a modernização e a qualificação da gestão pública, muito usadas em peças publicitárias governamentais, estão longe de serem alcançadas. E isso se dá nesse sombrio tempo marcado pela insegurança criada pelo avanço dessa nova e gravíssima doença.


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