EDITORIAL

Uma situação delicada

Vigilância Sanitária toma uma decisão difícil, mas acertada

A decisão do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de determinar a operação da maternidade e da UTI Neonatal da Santa Casa de Misericórdia no limite da capacidade dos leitos toca em um ponto nevrálgico do serviço público regional, o deficit de vagas em maternidades na região.

A superlotação dos leitos desafia a direção e médicos da Santa Casa, não apenas nesse início de ano. Não há estrutura suficiente para suprir a demanda. Há alguns janeiros, a unidade adota o contingenciamento do atendimento.

Desta vez, a Vigilância Sanitária toma uma decisão díficil, mas acertada, porque o excesso de pacientes flerta com situações como a infecção hospitalar que deixou um trauma enorme na cidade, quando dezenas de bebês morreram por essa causa, no passado.

Tomada a decisão, os governos do estado e municipal precisam acertar como será feito o remanejamento de pacientes para outros serviços. A este jornal, a diretora do CVS do Estado, Maria Cristina Megid, afirma que esse processo será feito com segurança.

A pergunta que os responsáveis pela saúde pública terão de encontrar na reunião sobre o assunto amanhã, em São Paulo é: como evitar que a alta procura volte a impor esse regime de restrição, que penaliza as mães em uma hora decisiva para a saúde delas e dos filhos?

Uma saída poderá ser ampliar, de imediato, a capacidade dos leitos da Santa Casa, que tem alugado máquinas, como respiradores, para manter as vagas improvisadas.

Mas, veja, se o hospital tem 25 vagas para os recém-nascidos que exigem cuidados especiais, manter 10, 15 bebês a mais é um risco. O que está em jogo, são vidas.

A situação é delicada e exige uma decisão política e técnica: a ampliação do setor na Santa Casa, e a construção de um novo serviço, no Hospital Municipal de Braz Cubas, não acontecerão no futuro próximo.


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