FREI MARCELO DE JESUS

Uma vida dedicada ao Carmo

Frei Marcelo de Jesus Maciel começou a frequentar as igrejas de Nossa Senhora do Carmo ainda criança. A religiosidade o conduziu à formação carmelita aos 19 anos e sua atuação como pároco da Cidade foi em 2011, e retornou no ano passado, quando assumiu novamente a paróquia de Mogi, cidade pela qual nutre um carinho especial. (Foto: Eisner Soares)
Frei Marcelo de Jesus Maciel começou a frequentar as igrejas de Nossa Senhora do Carmo ainda criança. A religiosidade o conduziu à formação carmelita aos 19 anos e sua atuação como pároco da Cidade foi em 2011, e retornou no ano passado, quando assumiu novamente a paróquia de Mogi, cidade pela qual nutre um carinho especial. (Foto: Eisner Soares)

Desde criança, Marcelo de Jesus Maciel sempre foi ligado à religião. Durante a infância, vivida no município de Cesário Lange, a 200 km de Mogi das Cruzes, incentivado pela avó materna, Benedita Miranda, ele frequentava a Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Aos poucos, foi se interessando cada vez mais pelos caminhos da fé, até que se tornou frei e, mais tarde, padre. Hoje, numa segunda passagem pela Cidade, é o pároco das igrejas locais do Carmo, além de ser o mestre dos noviços e ecônomo da paróquia.

O envolvimento de Marcelo com a religião era tão forte que ele se lembra de brincar de celebrar missas com os primos. Além dos estudos, ele trabalhava na lavoura, com o pai, Benedito Barbosa, que cultivava, entre outros grãos, arroz, feijão, amendoim e milho. Já aos finais de semana o menino se envolvia com atividades religiosas, como a crisma e a catequese e também a limpeza da igreja, a qual fazia com prazer.

Uma das atividades que Marcelo mais gostava e esperava era a Festa de Nossa Senhora do Carmo, a qual participa desde que se entende por gente, tanto da quermesse quanto da agenda litúrgica. Ainda assim, quando ele se tornou adolescente, dizia que não tinha intenção de se tornar padre.

Mas, ainda que negasse o desejo de ser padre, aos 16 anos Marcelo decidiu participar de encontros vocacionais pela diocese de sua cidade natal. Ele se surpreendeu ao perceber que não era aquela a vida que queria, e conversou com o frei Nuno, seu orientador na vida religiosa.

Nuno o incentivou a não desistir, mas sim tentar o encontro vocacional carmelita, em Mogi. Então, em 1997, aos 17 anos, se viu com uma mala nas mãos, rumo à Cidade. Ele conta que estava com medo, mas que a sensação passou quando conheceu o convento local, repleto, segundo ele, de pessoas gentis.

Após o teste, Marcelo voltou para casa, e começou a enviar cartas para cá e também para Itú, onde era realizada a primeira etapa da formação de padres. Sem retorno, estava quase desistindo quando, novamente, teve a ajuda de frei Nuno.

Então, em fevereiro de 1999, ele finalmente deu início à formação na comunidade carmelita. Entrou para o convento do Carmo em Itú, onde cursou a primeira etapa, chamada, à época, de aspirantado. E três anos mais tarde voltou à Mogi, para a segunda etapa, chamada de postulantado.

Em 2003, dando continuidade ao aprendizado, Marcelo de Jesus Maciel se mudou novamente, desta vez para Paranavaí, no Paraná, único centro do País que, naquele tempo, oferecia o noviciado, fase em que o jovem se aprofunda na história das Ordens Primeira e Terceira do Carmo.

E sua formação não parou por aí. Ele se submeteu ainda ao juniorato, em Belo Horizonte, onde cursou a faculdade de filosofia, e também em São Paulo, onde estudou teologia. Nessas duas cidades, ele teve as primeiras experiências como frei e professou os primeiros votos de pobreza, castidade e obediência.

Foi em 2011 que ele se tornou diácono e veio para a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Mogi, onde, além de pároco, atuava como formador do postulantado. E ele esteve por aqui até 2015, quando foi convidado pela província a se tornar mestre dos noviços em Belo Horizonte. Um ano mais tarde ele pediu para ser transferido e a comunidade o alocou na paróquia de Angra dos Reis, até janeiro do ano passado, quando retornou para a Cidade.

Desde então ele é o pároco local e nutre um carinho especial por Mogi. Está feliz de poder, hoje, aos 38 anos, promover a agenda litúrgica da Festa de Nossa Senhora do Carmo, um evento tão significativo desde a infância. Para o frei, inclusive, o clímax da festa é quando o andor com imagens sacras entra na paróquia, o que acontecerá logo mais às 17h30 deste domingo.

O religioso aguarda ansiosamente a captação de verba para a reforma das igrejas do Carmo por meio do ProAC (Programa de Ação Cultural). No tempo livre, além de visitar a mãe e os 10 irmãos, dos quais um é seu gêmeo, ele gosta de pescar, assistir a filmes e cozinhar pratos caipiras, que o fazem lembrar da infância.

Curto-Circuito

Viver em Mogi é… um dos melhores presentes que a vida me deu.

O melhor da Cidade… são as pessoas amigas que o coração encontrou.

E o pior? Mentira/fofoca

Sinto saudade… da comida da minha avó

Encontro paz de espírito… no silêncio da natureza

Pra ver e ser visto… nada melhor que a exuberância das Igrejas do Carmo

Meu prato preferido é… arroz com frango

Livro de cabeceira… obras completas de Santa Teresa de Ávila

Peça campeã de uso do meu guarda-roupa? Uma camiseta estampada com a foto de meu irmão gêmeo (Marcio) e sua filha, minha sobrinha (Beatriz), que ganhei no dia dos pais, há alguns anos

O que não tem preço? Uma boa amizade

Uma boa pedida é… amar sem por condições

É proibido… trair

A melhor festa é… a de Nossa Senhora do Carmo, que desde a minha infância é o melhor momento

Convite irrecusável… ir para roça

O que tem 1001 utilidades? A Bíblia

Meu sonho de consumo é… conhecer a terra onde nasceu Teresa de Ávila

Qual foi o melhor espetáculo da minha vida? Show da Laura Pausini e a Dança das Aguas, em Lima, capital do Peru

Cartão-postal da Cidade… Mogi vista de longe, das curvas da Rodovia Pedro Eroles

O que falta na Cidade? Respeito aos idosos

Qual é a química da vida? Fazer tudo com amor, dar o sangue por aquilo que acredita

Deus me livre de… pessoas medíocres