NA PANDEMIA

UMC ainda não antecipa a formação de médicos

O mutirão será realizado aos sábados, das 8h às 12h, no prédio 1 da UMC - Campus Mogi das Cruzes. (Foto: reprodução)

A pandemia do novo coronavírus evidencia diversos problemas, sobretudo na saúde do Brasil. Uma delas é a falta de profissionais da área em regiões mais interioranas e de difícil acesso. Pacientes precisam viajar por horas de transporte terrestre e até hidroviário para conseguir uma consulta. Uma das alternativas em alguns estados foi antecipar a formatura de médicos para que eles possam atuar na linha de frente da Covid-19. A Universidade de Mogi das Cruzes oferece a Faculdade de Medicina e não teve esse processo acelerado, mas o professor Melquíades Machado Portela, coordenador da Policlínica Médica, analisa o cenário para os jovens formados.

Portela lecionou nas disciplinas de ginecologia e obstetrícia e propedêutica clínica, além de ter sido secretário municipal de Saúde e vice-prefeito em Mogi. Ele lembra que o curso tradicional é formado por 12 períodos de aulas, em que os estudantes passam pelas mais diversas matérias, mas apenas a partir do quarto ano do curso, ele está apto para iniciar os atendimentos.

“O quarto ano de Medicina se dá no interior da Policlínica Médica da UMC, onde os estudantes têm o curso de clínica médica. A partir daí, ele tem o internato, ao longo dos últimos períodos, correspondentes ao quinto e sexto anos de Medicina, nos hospitais que lhe fornecem uma base sólida ao lidar diretamente com os pacientes de diferentes patologias, devidamente orientados por seus perceptores”, explica o professor.

Para ele, se a antecipação da formatura se der faltando pouco tempo para a conclusão do curso, não há problema, porque realmente o estudante já terá bagagem para ir ao mercado de trabalho. Ele pontua ainda que a formação em Medicina deve ser considerada pelo histórico do aluno no curso, período por período, e que não seria uma prova ao final dos seis anos que iria dizer se o estudante se tornou um profissional. Na universidade mogiana são considerados critérios como assiduidade, pontualidade, interesse, empenho e o trato no sentido de humanizar o atendimento ao paciente.

“Não vejo maiores prejuízos, porque aí é o seguinte: a vontade de exercer a Medicina vem em uma condição excepcional de pandemia, que faz com que o recém-formado se motive ainda mais em exercer a função em um momento em que a necessidade é ainda maior. A percepção que eu tenho é de que todo o médico recém-formado no princípio tem receio inerente ao início da carreira, porém sem comprometer a sua atuação. Então, eles têm bagagem para iniciar os atendimentos”, pontua.

A Universidade de Mogi das Cruzes forma clínico geral, segundo o professor, então eles podem atuar na assistência primária, do ponto de vista preventivo e curativo em Unidade Básica de Saúde (UBS), como também em hospitais.


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