EDUCAÇÃO

Uso de cores é motivo de polêmica junto a escolas

A Regional de Mogi das Cruzes do Sindicato dos Professores Oficiais do Estado de São Paulo (Apeoesp) deverá ingressar com uma ação junto ao Ministério Público pedindo providências em relação ao programa “Escola + Bonita”, do governo estadual, que tem pintado as unidades de ensino da cidade com as predominantemente iguais às da legenda do PSDB, partido do governador João Doria. No levantamento da entidade, realizado até ontem, 16 prédios já haviam recebido a pintura da fachada, com destaque para o amarelo e azul. O Governo do Estado diz que tal situação não procede.

Na manhã de sexta-feira, o grupo formado pelos conselheiros Inês Paz, Vânia Pereira da Silva, Nabil Francisco de Moraes e Silmara Barrence procuraram a reportagem de O Diário para pontuar algumas partes do projeto.

Para Inês Paz, o projeto é uma forma autoritária de o governo impor as cores do partido, já que o manual de pintura determina 60% de branco, 30% na cor azul oceano e 10% na amarela frevo. Apesar de à época do lançamento o programa falar em obras de reformas e melhorias, a conselheira afirma que estão realizadas apenas a pintura e, nas escolas maiores como a Francisco Ferreira Lopes, apenas da fachada.

“O governo pega tanto no nosso pé para que a escola seja sem partido, e ele mesmo quer impor as cores do seu partido. Ele diz que não é uma obrigação, mas por que quando ele sugere que as salas de aula com deficiente tenham menos alunos, a dirigente de Ensino não acata, e quando é para pintar as escolas ela acata?”, questiona.

Para Vânia, o valor deveria contemplar as necessidades de cada unidade, seja para reforma do telhado, compra de material escolar e até mesmo a pintura de locais que realmente precisem, e não apenas as fachadas. “A gente tem sala de aula com goteira, cada uma poderia resolver o seu problema ou pelo menos minimizar, mas ele prefere impor fachadas bonitas, enquanto falta de estrutura”, diz.

O professor Nabil diz que o projeto, no entanto, destina apenas o valor da compra das tintas, mas não arca com a mão de obra. “Ele diz que a comunidade fica com a pintura, mas como as pessoas vão pintar uma escola inteira, prédio com três andares? As escolas estão tirando o dinheiro de outros custos para pagar a mão de obra”, conta.

Silmara diz que em uma das escolas a obra ficou em R$ 40 mil, sendo R$ 17 mil destinados pelo estado para a compra da tinta, e R$ 23 para a mão de obra. “Se não faltasse folha, computador e os prédios estivessem reformados, uma pintura seria bem-vinda, sem determinação de cor”, destaca.

A Secretaria de Educação do Estado informou que não procede a informação de que as escolas da rede estadual estão sendo pintadas somente nas cores azul e amarela. O Projeto Escola + Bonita, que tem o objetivo de revitalizar os prédios das escolas públicas, utiliza o amarelo, verde, azul, branco, concreto e areia. O programa, lançado em janeiro deste ano, prevê a revitalização de 2,1 mil escolas estaduais de São Paulo. Na região de Mogi das Cruzes 20 escolas fazem parte do projeto.

“Já no que diz respeito às escolas citadas pela reportagem a pasta esclarece que a EE Gabriel Pereira passou por obras e reparos na parte elétrica no ano passado, com investimento superior a R$ 128 mil. A EE Professor Cid Boucault tem recuperação e adequação da quadra de esportes prevista para o ano que vem com orçamento superior a R$ 1 milhão, enquanto a EE Frei Thimoteo Van Den Broeck tem reforma e adequação da cozinha e refeitório da unidade previstas também para o ano de 2020 com investimento aproximado de R$ 1 milhão. A DE vai encaminhar um supervisor para averiguar as unidades”, destacou.

Deixe seu comentário