EMPRESA

Valtra abre as portas e apresenta a tecnologia 4.0

fábrica Convidados ficaram impressionados como grau de automação da unidade de Braz Cubas. (Foto: Elton Ishikawa)
PALESTRA Dirigentes explicam aos visitantes como é o funcionamento da produção de tratores. (Foto: Elton Ishikawa)

Robôs que caminham no chão de fábrica carregando peças e equipamentos que vão abastecer outras máquinas na fabricação de tratores com o que de mais recente existe de tecnologia no mercado. Assim é o dia a dia dentro da planta da multinacional Agco, a enraizada e conhecida Valtra de Mogi das Cruzes. Na manhã de ontem, a empresa abriu as portas a empresários e empreendedores para mostrar como a indústria 4.0 é verdadeiramente na prática: eficiente, energética e, sobretudo, um caminho sem volta. O evento faz parte da programação do Fórum de Tecnologia e Inovação de Mogi das Cruzes, que integra a semana nacional, com o mesmo nome do fórum, que é coordenada Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

O gerente de melhoria contínua na Agco, Manoel Gilberto da Silva Filho, dividiu com o público que atualmente a tecnologia chamada de “internet das coisas” – responsável por colher dados dos robôs de produção, armazenar, analisar e apontar, em relatórios, não só dados da produção, mas também da necessidade de abastecimento e manutenção dessas máquinas. Toda essa tecnologia converge para gestão de quatro pontos: a eficiência no monitoramento e controle de dados; meio ambiente, reduzindo o consumo de recursos naturais; na gestão de pessoas, possibilitando novos oportunidades aos colaboradores por meio de capacitações.

“Na fabricação de motores, as atividades que não agregavam valor ao homem foram substituídas por esses robôs, como carregar objetos e levantar os motores de até 400 quilos. Tudo ocorre de forma programada. Após o motor sair da linha de produção, uma máquina o leva até a sala de testes, e se for aprovado, ele já sai de lá embalado, pronto para ser entregue”, explicou Silva Filho na área de produção de 100% dos motores do grupo, que é realizada em Mogi, e encaminhada para as outras plantas.

fábrica Convidados ficaram impressionados como grau de automação da unidade de Braz Cubas. (Foto: Elton Ishikawa)

A parte de tecnologia empregada nos produtos Agco foi apresentada pelo coordenador de marketing e produtos fuse, Dener Jaime, e pelo supervisor de marketing do produto tratores, Winston Quintas. Eles falaram desde quando as operações das máquinas dependiam do homem comandar, e aos poucos eles elas foram ganhando iluminação, GPS, o início do piloto automático, que foi um pioneirismo da marca.

“Hoje, se a gente olhar como um todo, existe piloto automático, telemetria, sensores para monitorar colheita, de armazenamento. É um leque bem completo. Temos trator de plantio que, entre uma passada e a outra, na emenda da plantadeira, pode ter um erro máximo de dois centímetros”, detalhou Dener.

Um dos diferenciais da produção Agco hoje é a transmissão automática CVT, que ganhou o prêmio de melhor trator do Brasil para o agronegócio em 2017. Hoje ele é fabricado em Mogi das Cruzes. “Não existe a troca de marcha, e isso faz com que a transmissão não limite a velocidade de trabalho, que vai de 0,03 a 40 quilômetros por hora. Com isso, você garante um plantio mais homogênio”, detalhou Quintas.

O prefeito Marcus Melo (PSDB) disse que quando visitou Washington DC, percebeu a importância de aproximar o poder público das empresas e universidades. Quando voltou, decidiu que era o momento de promover essas interações no município.

Nós temos criado um diálogo muito importante com a Valtra, dentro daquilo que a gente pode, e ela vai trazer, a partir do ano que vem, a produção de pulverizadores e colheitadeiras para a planta de Mogi, gerando mais empregos na cidade. Esse movimento de empresas de serviços e tecnologia é tendência no mundo, e são grandes áreas para a cidade. Se não me engano, a geração vai de 120 a 190 empregos”, destacou. Melo participou da abertura do evento e foi ao médico, porque machucou a perna durante uma partida de futebol, na noite de quarta-feira.

Rodrigo Garzi, coordenador do Polo Digital de Mogi, contou que existia uma demanda do público que frequenta o local para conhecer o que acontece do portão para dentro das indústrias, e de que forma a tecnologia deles pode contribuir para o trabalho. “Não necessariamente eles vêm aqui através de emprego, mas eles precisam saber o que existe aqui ter uma ideia de como outras startups podem ser criadas”, detalhou.

O mediador e organizador do evento foi o diretor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Claudio Costa. Ele disse que o objetivo era levar empresas de diferentes segmentos para um intercâmbio, com o objetivo final de formar parcerias e gerar mais emprego na cidade. Hoje o grupo tem cerca de 650 fornecedores, dos quais apenas 50 estão em Mogi.

As empresas de Mogi que estão buscando algo fora da cidade, para ver que em Mogi pode ter essa solução. Todo mundo está assustado com o carro elétrico, mas a gente pode ver que está na ponta o que pode nos trazer em termos de tecnologia”, pontuou Costa.

O titular da pasta, Clodoaldo de Moraes, lembrou que o programa Desenvolve Mogi tem o objetivo exatamente de fazer a relação entre o poder público e privado para fomentar o crescimento da cidade. “Nós vivemos um momento em que uma empresa abre as portas para outras empresas conhecerem a tecnologia. Essa aproximação dos setores está, com certeza, construindo uma nova fase da cidade, em que vamos colher empregos e geração de renda”, ressaltou.

O evento reuniu cerca de 50 convidados, que puderam ainda fazer um city tour pela empresa.


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