ESPETÁCULO

Vasques recebe peça que conta a trajetória e origens de Zumbi dos Palmares

PROPOSTA Nesta sessão lítero-musical-dramatúrgica é feita a leitura dramática contando com um suporte musical e um coro de vozes afinadas. (Foto: divulgação)
PROPOSTA Nesta sessão lítero-musical-dramatúrgica é feita a leitura dramática contando com um suporte musical e um coro de vozes afinadas. (Foto: divulgação)

Em cena, a trajetória e origens de Zumbi dos Palmares, líder quilombola e símbolo de resistência negra. Mas não é só isso: mais do que uma apresentação teatral, a peça ‘TEM Conta Zumbi’ se propõe a ser uma “sessão lítero-musical-dramatúrgica”, e, portanto vai a fundo no tema abordado. Isso quer dizer que a montagem que ganha o Teatro Vasques nesta quinta-feira, a partir das 20 horas, vai além do entretenimento e estabelece uma “experiência” gratuita dentro do 7º Festival de Culturas Negras da cidade.

A convite da União dos Negros pela Igualdade (Unegro) de Mogi, ao reeditar a peça proposta inicialmente pelo Teatro de Arena, na São Paulo de 1965, a ideia do Teatro Experimental Mogiano (TEM) é falar “da luta constante pela liberdade e de um dos personagens da história do Brasil dos mais emblemáticos e contraditórios, buscando fortalecer a união de jovens e velhos artistas da cidade numa verdadeira comunhão de aprendizagem mútua e finalmente, entreter, divertir e emocionar o público que estiver no embalo dessa leitura”.

Os dizeres vêm de um dos fundadores do coletivo, Milton Feliciano, que também explica o que é uma “sessão lítero-musical-dramatúrgica”. Segundo ele, “o nome parece pomposo, mas não é”, apenas reflete o que será apresentado “sem enganar o espectador”, já que será feita uma leitura dramática, ou seja, “os atores vão ler o texto a ser apresentado – lítero”. Depois, contarão com um suporte musical e um coro de vozes bem ensaiadas e afinadas, com músicos instrumentistas “muito capacitados a dar-lhes suporte musical”. E ainda o público verá a representação “dramatúrgica” do texto com atores vivendo os papéis que lhes foram designados.

O projeto possui significado especial para o TEM. Há cinco décadas, quando a produção ganhou os palcos da capital, teve repercussão intensa nos estudantes mogianos, que se sentiram motivados a criar o grupo local. E a linha estético-ideológica abordada por aqueles jovens a partir dali passou a ser influenciada diretamente pelos pelos encenadores e criadores do original, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal.

“Por esta razão, quando escolheu-se ‘Arena Conta Zumbi’ para essa leitura dramática, foi como um momento de recordar para muitos do elenco atual, que mescla experiência e juventude, netos e avós”, afirma Milton.

A primeira peça montada pelo TEM, ‘Tiradentes a Caminho da Forca’, foi “claramente baseada no sistema coringa de ‘Arena conta Zumbi’”, como lembra o fundador do grupo. Ele também diz que, mesmo aquela primeira peça tendo sido proibida pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), a partir dali o “espírito de contestação e resistência cultural permeou as atividades do grupo”.

“Agora, 54 anos depois, estamos na trincheira novamente, e outra vez nos debruçamos sobre esse texto de grande significado na história recente do país. Um momento de pura resistência cultural”, encerra ele.

A produção conta com direção musical do maestro Antônio Ferreira da Silva Júnior, o Toninho Ferreira, e direção de Adamilton Andreucci, além de grande elenco de músicos, cantores e atores consagrados na região. Será encenada na noite de hoje, no Teatro Vasques, localizado à Rua Dr. Corrêa, 515, no Centro. Já o Festival de Culturas Negras segue até sábado, 30, com atividades gratuitas em diferentes espaços da cidade.


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