AÇÃO

Venda de fotografias irá auxiliar obras sociais de Mogi

SOCIAL O objetivo de Robson Regato é atrair apoiadores a entidade que atende crianças e jovens. (Foto: Robson Regato - divulgação)
LASTRO Da assistência a crianças nas ruas, obra do padre Attilio chegou a três bairros mogianos. (Foto: Robson Regato – divulgação)

Um jogo com 12 gravuras especialmente produzidas pelo fotógrafo mogiano Robson Regato será lançado no próximo domingo (24), durante a missa das 7h30, no Santuário Mãe do Divino Amor, no bairro do São João, em Mogi, com objetivo de colaborar com as instituições sociais fundadas pelo padre Attilio Berta (já falecido) para atender crianças, adolescentes e jovens, nos bairros do Botujuru, Cocuera e São João.

São 12 fotografias de alunos das unidades escolares, feitas pelo próprio Regato, depois que ele teve oportunidade de conhecer o trabalho que é realizado nas cinco unidades do Instituto Secular das Discípulas e Discípulos de Maria Mãe do Divino Amor.

SOCIAL O objetivo de Robson Regato é atrair apoiadores a entidade que atende crianças e jovens. (Foto: Robson Regato – divulgação)

Convidado para conhecer as várias atividades realizadas pelas instituições, o fotógrafo disse ter ficado “muito impressionado” e, por isso, se dispôs a produzir 350 jogos com gravuras marcadas e autenticadas, que ele ofereceu à direção para colaborar na arrecadação de ajuda para o trabalho ali realizado.

“Não é um material para ser comercializado, mas que poderá ser utilizado para estimular as pessoas a fazerem doações em favor das escolas e creches. Assim, estabeleceu-se que quem desejar fazer uma contribuição simbólica, a partir de R$ 100,00, receberá de presente o kit com as imagens”, afirma o fotógrafo, empolgado com o resultado de um trabalho que ele sequer imaginava que fosse feito nas cinco unidades do Instituto Maria Mãe do Divino Amor.

“Nosso objetivo é ressaltar esse trabalho e sensibilizar as pessoas a colaborar com o Instituto para a formação e desenvolvimento das crianças”, afirma o fotógrafo.

Padre Attilio

O Instituto Mãe do Divino Amor surgiu em 1984, por iniciativa do padre Attilio Berta, de origem italiana, que inicialmente contou com um grupo de voluntárias que se dispunha a trabalhar pela Igreja, em favor dos povos marginalizados. Na época, um grupo de crianças e adolescentes vivia em precárias condições, guardando carros ao lado da Catedral.

O Estatuto da Criança e do Adolescente ainda não existia, mas em 1988, a Campanha da Fraternidade, com o tema “Quem acolhe o menor, a mim acolhe”, já mostrava a grave situação das crianças e jovens em todo o País.

Os meninos começaram a receber atendimento e alfabetização numa parceria com a Secretaria de Estado da Educação. Nas missas de domingo, o padre pedia doações para garantir os almoços comunitários, antes que os integrantes do grupo fossem atendidos pela Associação Mogicruzense para Defesa da Criança e do Adolescente (Amdem).

Algum tempo depois, esse atendimento passou a ser feito no bairro do Botujuru, onde o padre Attilio pretendia intensificar um trabalo de apoio às famílias em situação de carência, cujos pais trabalhavam nos cultivos de cogumelos, principal atividade agrícola do bairro.

Em 1988 teve início o trabalho com crianças entre 3 e 6 anos, mas logo crianças e adolescentes, entre 7 e 14 anos, também passaram a ser atendidos no Salão da Paróquia Sagrada Familia. Recebiam reforço escolar, atividades artesanais e orientação religiosa.

Com o passar do tempo, notou-se que os adolescentes estavam carentes de maior apoio e, em 1993, foi fundada a Casa do Adolescente Nossa Senhora da Glória, com cursos de computação, dança, violão, teatro, crochê, pintura em tela e tecido, coral, datilografia, corte e costura, entre outros, já em parceria com a Prefeitura.

Instalou-se uma biblioteca que permitiu aos estudantes realizarem uma pesquisa sobre as origens do bairro do Botujuru, fato que até hoje é comemorado com desfile das escolas no aniversário do local, no mês de outubro.

Enquanto tudo caminhava bem pelos lados do Botujuru, nas proximidades da Catedral a situação de agravava, com a chegada de novos adolescentes vindos de cidades vizinhas, os quais eram perseguidos por políticos e polícia, passando a viver em constante tensão. Com autorização do bispo dom Paulo Mascarenhas Roxo, a Casa da Criança Nossa Senhora de Santana foi instalada nos fundos da Catedral. A população colaborou com colchões, beliches, roupas e alimentos. Professoras e psicólogas voluntárias se apresentavam para ajudar o grupo.

O dinheiro fácil das ruas ajudou a desestruturar todo esse trabalho. Sob críticas da mídia e da comunidade do entorno da igreja, veio a decisão de somente atuar com crianças até 12 anos de idade. Com ajuda do prefeito da época, no ano de 1999 foi aberta a segunda unidade da Escola Maria Mãe do Divino Amor, no Botujuru, em área doada por famílias do bairro.

Ao mesmo tempo, padre Attilio havia recebido um terreno na área do bairro do São João, denominado Vila Ressaca.

Com ajuda de um grupo de voluntários, o religioso construiu um templo e, junto dele, um local para receber as crianças. Nascia a Comunidade da Unidade Maria Mãe do Divino Amor, que construiria a Casa da Criança Nossa Senhora de Santana, no São João, que viria a abrigar as crianças do centro.

Foi um belo trabalho comunitário, que além de voluntários da comunidade católica, contou com a ajuda do Instituto Terra (na decoração da casa), Conferência Nacional dos Bispos da Itália, Consulado do Japão, Cáritas do Japão e Central Geral do Dízimo.

Em 2004, em conjunto com a Prefeitura, o Instituto passou a prestar serviços no Cocuera. E naquele mesmo ano, uma casa de acolhimento foi aberta no Botujuru.

Com a interferência do poder público, os menores foram sendo atendidos em centros de referência do setor de Assistência Social do Município.

Em 2013, após 20 anos de atividades, a Casa da Criança Santana foi fechada e seus frequentadores transferidos para outras unidades de atendimento. No início de 2017, segundo histórico da instituição, a Unidade I da Escola Maria Mãe do Divino Amor foi transferida do local de fundação, a Paróquia Sagrada Família para a Rua do Rosário, assim como o Serviço de Convivências e Fortalecimento de Vínculos, que também funcionava na Paróquia.

Em setembro de 2017, o fundador do Instituto, padre Attilio Berta faleceu, mas deixou entre os que com ele conviveram o sentimento de a obra não poderia acabar.

E hoje são cerca de 500 crianças e adolescentes atendidos em escolas e dois serviços de convivência e fortalecimento de vínculos, que já estão na segunda geração de atendimento, já que filhos das crianças que passaram pela Unidade I, em 1988, agora frequentam as unidades localizadas no Botujuru.


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