EDITORIAL

Verdade matemática

O matemático francês Emile Lomoine (1840-1912) ficou conhecido por provar a existência do ponto simediano do triângulo, uma descoberta que leva o sobrenome dele. Lomoine disse uma frase lapidar sobre as ciências exatas, que se encaixa em uma das conclusões sobre o comportamento dos furtos e roubos de carros em Mogi das Cruzes: “Uma verdade matemática não é simples nem complicada por si mesma. É uma verdade”.

De 2010 a 2019, os registros do crime que indignam por mês 89 mogianos (quase três vítimas por dia) não serviram para mudar as estratégias de segurança pública e reduzir esse tipo de violência.

Só em três anos, 2010, 2013 e 2018, o índice não superou os 900 e tantos casos. O recorde de ocorrências foi em 2014, com 1.331.

Na verdade, em quase uma década, a tábua criminal pouco oscilou para baixo.

De 2018 para 2019, foram 115 furtos e roubos de carro a mais entre um período e o outro. É matemática.

O estado deve respostas ao cidadão. Pesquisa precisa servir solucionar problemas.

Onde os ladrões mais fazem vítimas? Há pontos viciados (perto das universidades, do shopping, áreas movimentadas, que deveriam ser melhor protegidas), mas nota-se a descentralização dos endereços.

Outro dado de nossa reportagem de domingo exige melhor resposta do comando das polícias Civil e Militar, e Guarda Municipal – das 954 vítimas, 312, até novembro, conseguiram recuperar os casos. A maioria das vítimas – dois terços – arcou com os prejuízos e a revolta por viver em um estado de insegurança que passa dos limites.


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