IMPRESSÕES

Versátil, picape Fiat Toro Freedom diesel desfila das trilhas aos shopping centers

Versão Freedom da Toro pode vir com o pacote S-Design, com elementos de design escurecidos (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

A ideia de lançar uma picape com chassi em monobloco em uma dimensão maior em comparação às compactas, que pudesse atrair o consumidor das picapes médias, não surgiu com a Fiat Toro. Quando a picape da marca italiana chegou ao mercado, em fevereiro de 2016, a Renault Duster Oroch, versão com caçamba do utilitário esportivo Duster, já estava há seis meses nas ruas – foi lançada em setembro de 2015. Mas o sucesso da Toro foi tão imediato e estrondoso que ela acabou levando a fama de “inventora” do segmento. Dois meses após o lançamento, a picape desenvolvida pela Fiat no Brasil já tinha deixado para trás não só a Oroch como todas as picapes médias comercializadas no país – modelos como Toyota Hilux, Chevrolet S10 ou Ford Ranger, que têm chassis em longarinas e preços mais elevados. Desde então, a Toro é superada nas vendas apenas pela compacta Strada, da própria Fiat.
Na linha 2020, apresentada em julho do ano passado, a Toro trouxe discretas novidades, como a adoção de um overbumper – para-choque frontal com aspecto mais robusto – e de uma central multimídia com tela de sete polegadas. Outra inovação foi na versão intermediária Freedom, que passou a oferecer opcionalmente o pacote S-Design. Com os detalhes estilísticos do novo pack, a configuração a diesel da Freedom consegue uma singular mistura do jeito “fashion” típico das picapes urbanas com efetivos atributos off-road.

Equipada com motor diesel de 170 cv, a Toro incorpora o barulho e trepidação característicos desse tipo de propulsor (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Externamente, a picape da Fiat preserva as linhas contemporâneas e elegantes da época do lançamento. Na caçamba com capacidade para 850 litros de bagagem, o acesso continua a ser dividido em duas portas, que se abrem em par. A Toro Freedom introduziu no Brasil o conceito italiano S-Design – o S vem de “shadow”, que significa sombra em inglês. Só no final do ano passado, o pack S-Design chegou também às linhas Argo e Cronos.
Por fora, faixas adesivas no capô e na tampa traseira da caçamba, identificação da versão e motorização escurecidos, assim como emblemas e badges, criam uma nova identidade visual. A versão traz ainda santantônio e estribos em preto (normalmente, são cromados) e pintura cinza na capa dos retrovisores externos, na grade superior dianteira e nas barras de teto. Para completar, as rodas também têm pintura escurecida.
Já o interior segue à risca o conceito S-Design e abusa do estilo escurecido, com forrações pretas nos bancos em tecido e couro, e volante e laterais de porta em couro com costura preta. Há até um tom específico de preto para a moldura da central multimídia, as saídas de ar, as alças das portas e aros dos alto-falantes. As logomarcas no interior também são escurecidas e os adereços cromados foram substituídos pelo preto fosco e cinza. O apoia-braço central traseiro conta com porta-copos. Um botão giratório ao lado do câmbio permite escolher entre tração frontal, 4X4 ou 4X4 com reduzida. A versão Freedom vem com airbag duplo frontal; a única Toro com mais airbags é a Volcano, que tem sete.

A Toro Freedom diesel não é um modelo barato. Seu preço parte dos R$ 147 mil (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Sob o capô da versão Freedom 2.0 Diesel AT9 4X4 da Toro está o motor 2.0 Multijet II, já bastante conhecido no Brasil por ser o mesmo utilizado nos Jeep Renegade e Compass. Tem duplo comando de válvulas, turbocompressor e intercooler, além de injeção direta Common Rail. Entrega 170 cavalos a 3.750 rpm e 35,7 kgfm a partir de 1.750 giros e trabalha acoplado a uma caixa automática com nove velocidades. Oferecida por R$ 146.990, a configuração a diesel da Toro Freedom fica R$ 4.500 mais cara quando acrescida do pack S-Design, totalizando R$ 151.490. Porém, esse preço vale somente se o carro for na cor Vermelho Colorado – a Branco Ambiente encarece R$ 1.500, todas as metálicas (como o Prata Billet do modelo testado) somam R$ 2.500 e as perolizadas acrescentam R$ 3 mil à conta. Apesar de estar longe de ser uma picape barata, é uma das versões mais procuradas da linha Toro, não apenas pelo seu visual estiloso, como também por se posicionar estrategicamente entre a básica a diesel Endurance, de R$ 135.490, e as “top” a diesel Volcano, de R$ 160.490, e Ranch, de R$ 167.490, todas sujeitas às mesmas elevações de preços de acordo com a cor.

Central multimídia da Fiat Toro ganhou uma tela sensível ao toque maior, de sete polegadas (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

A Toro tem acessos fáceis e um interior bem resolvido. Os revestimentos expressam a rusticidade típica do segmento de picapes, todavia, aparentam boa qualidade. Em alguns aspectos, o interior da Toro lembra o do Jeep Renegade, que utiliza a mesma plataforma e é montado na mesma fábrica, na cidade pernambucana de Goiana. E o estilo do habitáculo se torna particularmente elegante nessa versão com o pack S-Design, que incorpora diversos detalhes enegrecidos.
Novidade da linha 2020, a central multimídia com “touchscreen” de sete polegadas no painel central tem alta definição, funciona com o Android 8.0 e tem uma CPU de 800 MHz, que oferece rápido processamento de dados. Com memória interna de 4 GB para armazenamento de informações, trabalha com memória RAM de 1GB. A interface com o usuário é intuitiva, facilitada pelos comandos no volante. Com entradas USB e auxiliar e conexão Bluetooth, o sistema multimídia traz ainda GPS e mapas da Tom Tom. A tela da central mostra ainda as imagens da câmera de ré, auxiliando em manobras e estacionamento.

Impressões ao dirigir

Na configuração 2.0 Diesel, a Toro perde o jeito de “carro de passeio” das versões flex e incorpora o barulho e a trepidação característicos das picapes com motores a diesel. Nesse “powertrain”, o destaque é o torque elevado disponível já em baixos giros, gerando uma agradável sensação de que jamais faltará força para transpor os eventuais obstáculos. Nas ruas e estradas, o 2.0 turbodiesel, com seus 170 cavalos, também move a picape com autoridade. O eficiente câmbio automático de nove marchas tem trocas suaves e rentabiliza bem o trabalho do motor.
A estabilidade da Toro se aproxima à de um utilitário esportivo compacto – por sinal, ainda esse ano, a Fiat lançará seu SUV derivado da Toro. As rolagens de carroceria da picape são discretas, quase não aparecem. As suspensões MacPherson na frente e multilink atrás ajudam a conferir um rodar consistente, mesmo em velocidades maiores. Como em qualquer carro mais alto, nos trechos mais sinuosos, a carroceria sacoleja um pouco. Contudo, é preciso exagerar muito para que as assistências dinâmicas precisem entrar em ação. Nas curvas, a direção se mostra extremamente precisa: é fácil colocar a picape exatamente onde se deseja.

A Toro Freedom diesel cumpre sua proposta de reunir estilo e atributos off-road em uma picape (Luiza Kreitlon/AutoMotrix)

Na hora de sair da estrada e encarar as trilhas, a tração integral, acionável por meio do botão giratório ao lado da alavanca do câmbio, cumpre a função de tornar a picape apta a encarar obstáculos, seja para o trabalho ou para o lazer. Evidentemente, o conjunto da Toro não tem a robustez e os recursos de mobilidade da suspensão oferecidas pelas picapes com chassi em longarinas, mas nas situações lameiras menos radicais, dá conta do recado.
Pelas características do conjunto, a Toro Freedom 2.0 Diesel AT9 4×4 S-Design cumpre seus objetivos: é uma picape estilosa, que agrada ao público dos modelos esteticamente diferenciados, sem abrir mão dos atributos off-road, que fazem parte das aspirações aventureiras dos donos de picapes. (Luiz Humberto Pereira/AutoMotrix)

Ficha técnica
Toro Freedom 2.0 Diesel AT9 4X4 S-Design

Motor: diesel, dianteiro, transversal, 1.956 cm³, turbo, quatro cilindros e quatro válvulas por cilindro. Injeção direta de combustível e acelerador eletrônico
Transmissão: automática de 9 marchas à frente e uma a ré. Tração 4×4. Oferece controle de tração
Potência: 170 cavalos a 3.750 rpm
Torque máximo: 35,7 kgfm a 1.750 giros
Diâmetro e curso: 83 mm x 90,4 mm. Taxa de compressão: 16,5:1
Suspensão: dianteira independente do tipo McPherson, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, amortecedores hidráulicos e pressurizados e molas helicoidais. Traseira independente do tipo multilink, links transversais/laterais, barra estabilizadora, amortecedores de duplo efeito e molas progressivas. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série
Pneus: 225/65 R17
Freios: discos ventilados na frente e sólidos atrás. Oferece ABS com EBD
Carroceria: picape em monobloco, com quatro portas e cinco lugares. Comprimento de 4,92 metros, com 1,84 metro de largura, 1,69 metro de altura e 2,99 metros de entre-eixos
Peso: 1.871 kg
Capacidade da caçamba: 850 litros
Capacidade de carga: 1.000 kg
Tanque de combustível: 60 litros
Lançamento no Brasil: 2016
Produção: Goiana, Pernambuco
Preço: R$ 151.490. Na cor Prata Billet do modelo testado, R$ 153.990.


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