CARTAS

Viagens de trem

Vi, dia desses, num site especializado, que apenas quatro viagens de trens de passageiros ainda restam no Brasil, sendo uma delas para Mogi das Cruzes, o Expresso Turístico da CTPM, que se dirige à cidade sempre no segundo sábado de cada mês.

Os demais trens que transportam passageiros são: o que interliga a região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo, a Belo Horizonte, capital mineira; a ligação Curitiba a Morretes, no Paraná, pela Serra do Mar Paranaense; e, por fim, a Estrada de Ferro Carajás, que passa pelos estados do Maranhão e do Pará, ligando o porto de Itaqui (em São Luiz , no Maranhão) a Marabá e Parauapebas (no Pará).

Vendo isso, podemos concluir que é um verdadeiro absurdo o que acontece num país de dimensões continentais, como o Brasil. Enquanto quem vai à Europa faz questão de narrar as experiências vividas em viagens de trem que levam de um país a outro, nós, brasileiros, não temos sequer uma linha férrea que transporte passageiros entre duas de nossas maiores cidades, no caso, São Paulo e Rio de Janeiro.

E o pior de tudo é que nós já tivemos um transporte de passageiros que ligava os principais estados brasileiros e que acabou após o governo central passar a jogar todas suas fichas no transporte rodoviário, hoje com estradas saturadas e perigosas.

É lamentável que, governo após governo, das mais diferentes visões e ideologias, não haja ninguém com coragem suficiente para voltar a investir no transporte ferroviário, hoje limitado ao transporte de cargas. É uma pena que o Brasil tenha sucateado toda malha ferroviária de passageiros e optado por entupir as estradas de automóveis e caminhões. E a pergunta que não quer calar é uma só: até quando tal situação irá continuar desta forma. Algo precisa mudar. E rápido.

Antonio Carlos do Nascimento

Mogi das Cruzes, Centro


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