Vida longa à Amhal

Os primeiros integrantes da Academia Mogicruzense de História, Artes e Letras (Amhal) tomaram posse na quinta-feira, na Igreja da Ordem Terceira do Carmo, um patrimônio histórico nacional administrado por leigos, devotos ligados à Província de Santo Elias.

A Amhal bem que buscou junto ao poder público municipal outro endereço para a posse – o Teatro Vasques, a Câmara Municipal. Não obteve sucesso. O primeiro encontro público do grupo ocorreu numa construção secular, ligada à igreja Católica, mas mantida por devotos.

O desencontro pode ser bom presságio. A Amhal começa com 15 acadêmicos, 30 patronos definidos, sede própria no número 402 da Rua Senador Dantas, e planos de atuar de maneira independente do poder público na defesa e na promoção da história, das artes e letras.

No futuro, deverá reunir 40 integrantes. É uma entidade criada à semelhança da Academia Brasileira de Letras que, por sua vez, se modelou na Academia Francesa, como inscreveu Machado de Assis, no discurso de posse da ABL em 1897.

Nos planos imediatos da entidade está a valorização da memória e da obra de intelectuais mogianos, os patronos que ocupam cadeiras fixas. Gente que, de alguma forma, destacou-se na defesa dos interesses da Cidade na educação, literatura, cultura popular, comunicação, etc.

A entidade abre espaço para a realização de encontros e eventos em torno da cultura, o estímulo à produção literária com o lançamento de livros, a organização de mostras, exposições e concursos.

Encontros e diálogos em torno de ideias, experiências e propostas podem valorizar e interferir positivamente na construção social. E, nestes tempos cinzentos, marcados pelo mau humor e a indisposição até mesmo para um descompromissado bate-papo, a Amhal pode estabelecer um espaço de discussão interessante.

O nosso desejo é que esses acadêmicos enriqueçam o debate sobre o presente e o futuro da Mogi das Cruzes. À falta de espaço territorial para crescer, a Região Metropolitana tem forçado uma rápida e extenuante ocupação de propriedades ainda disponíveis na Cidade. Há de se cuidar para que essa expansão imobiliária não desrespeite, ainda mais, os registros e referências mogianas.

O nosso patrimônio histórico perde valor todo dia, quando a Cidade perde, agora quase sem susto, um casario centenário.