ARTIGO

Vidas interrompidas

Laerte Silva

O Brasil é um país repleto de belezas naturais, praias maravilhosas, campos, paisagens lindas e invejáveis fauna e flora, sem falar nos recursos naturais, riquezas que despertam atenção mundial. Pena, pena mesmo que no meio disso tudo exista tanta pobreza, tanta gente dormindo nas ruas e um desemprego enorme que dizima os sonhos de muita gente.

Há tempos as políticas públicas, as poucas que dão certo, não conseguem suprir essas demandas. A população pobre sofre para ter atendimento médico, enfrenta filas e mais filas para simples exames e as cirurgias então transformam a vida de muitos em calvário. Esse é um cenário ruim, que depende de muita vontade política e desprendimento de ideologias partidárias. O que o povo quer não são cores ou slogans de partido, mas qualidade de vida, teto, trabalho e comida na mesa. Diversão também, pois ninguém é de ferro, mas que a corrupção seja vencida e preso quem surrupiar os cofres públicos desviando dinheiro de merendas, suprimentos hospitalares e de obras em geral.

Essa reflexão é importante porque diante de uma vida miserável, muitos praticam delitos, e a criminalidade parece não ceder de jeito nenhum. Ocorre que tirando essa marginalidade decorrente de questões sociais, temos as mazelas que surgem da banalidade de alguns criminosos, especialmente contra as mulheres. Nosso Código Penal contempla o feminicídio, quando se mata a mulher por razões da condição de sexo feminino, uma previsão legal desde 2015 que parece não intimidar covardes que praticam também agressões físicas e psicológicas, abusam sexualmente, mutilam e espancam a mulher por uma satisfação egoísta.

Tristes casos que vão para estatísticas, como a da estudante de fisioterapia da cidade de Bariri, interior de São Paulo e que foi morta dias atrás por um criminoso boçal, o qual, sob pretexto de ajudá-la a trocar o pneu do carro, ceifou a vida da moça.

O ponto de encontro do Brasil maravilhoso, só que não, no aspecto da violência, é que dia após dia vemos, lemos, assistimos na TV casos de violência em geral, mas especialmente contra a mulher. Toda vida é importante, independentemente de gênero, opção sexual que a pessoa faça, mas a onda contra as mulheres é algo tão absurdo por bandidos que sorriem para uma namorada, amiga, companheira, mas revelam-se bandidos ao não suportar um rompimento, partem para o ataque, destroem famílias e deixam pelo caminho vidas interrompidas. Triste cenário.

Laerte Silva é advogado

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