SERRA DO MAR

Vídeo de onça com dois filhotes no Parque das Neblinas viraliza na internet

Flagrante foi feito no Parque das Neblinas. (Foto: Divulgação)

Foi um brevíssimo flagrante, 13 segundos. Uma onça-parda caminha com o filhote, que busca a atenção da mãe, e em poucos instantes depois, o segundo filho surge, compondo uma cena da rotina da família rara de se encontrar, mas presente nas serras do Itapeti e do Mar, entre Mogi das Cruzes e cidades vizinhas, como Biritiba Mirim e Bertioga. A imagem do passeio foi captada por uma das câmeras mantidas no Parque das Neblinas, no Distrito de Taiaçupeba, para o monitoramento dos habitantes do lugar.

Há uma passarinhada cantando ao fundo. O cortejo passa rápido para o registro daquilo que confirma a riqueza natural na reserva privada da Suzano, gerenciada pelo Instituto Ecofuturo.

A imagem partilhada no Facebook ultrapassou os 500 compartilhamentos, até o meio da tarde de ontem, e recebeu comentários elogiosos (‘lindo!’), sugestões (‘tem de preservar’) e questionamentos políticos sobre o projeto de lei federal que movimentou as redes sociais a respeito da liberação da caça à onça.

Paulo Groke, diretor de sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, disse que o avistamento do mamífero não é tão raro porque ele habita o Parque das Neblinas, localizado do lado do Parque Estadual da Serra do Mar. Cinco meses atrás, foi vista uma onça prenhe. Mas, acrescentou, “há significado pelo fato de ter uma fêmea, com dois filhotes adultos e saudáveis, o que mostra que estamos no caminho certo em nossas ações na reserva”.

Em uma análise sobre o futuro dessa preservação, Groke admite a delicadeza do atual cenário do País, a partir do que tem se falado sobre a conservação ambiental. “Esse é o grande combustível de nossa atuação e sentimos, obviamente, que a questão ambiental vem sofrendo nesse momento, mas a desconstrução do conceito ambiental deve ser passageira. Não deveria existir dualidade entre a produção e a conservação, e o Brasil tem condições de ser uma referência mundial na produção de alimentos. Produção e conservação não é uma coisa ou outra, é uma coisa e outra”, disse.

Flagrante foi feito no Parque das Neblinas. (Foto: Divulgação)

A onça-parda é típica da região da Mata Atlântica, topo da cadeia alimentar em uma das florestas mais ameaçadas pelo impacto da atividade e ocupação humana. Os relatos sobre a presença do mamífero em cidades com fragmentos verdes do Alto Tietê têm sido mais frequentes.

Em 2017, o aparecimento de uma onça-parda, em propriedades do Jardim Aracy e outros bairros da Serra do Itapeti, mobilizou a Prefeitura de Mogi. O motivo das visitas: a busca pela caça mais fácil, encontrada em galinheiros.

O registro em vídeo do passeio da família no Parque Municipal foi comentado pelo veterinário Jefferson Leite, defensor da preservação ambiental e observador de aves.

“Isso confirma o acerto em se preservar a Serra do Mar e as interligações entre ela e a Serra do Itapeti”, opina Leite. A presença da espécie equilibra esse ecossistema da ameaçada Mata Atlântica. “Quando um animal como esse, que se alimenta de espécies menores, como pacas e capivaras, desaparece da natureza, isso provoca desajustes, como a prevalência de outras espécies, naturalmente caçadas pela onça-parda”, explica Leite, lembrando situações enfrentadas por cidades onde a ocupação urbana e a quebra do ciclo natural da cadeia alimentar fortaleceram o aumento da população de determinados indivíduos.

A onça-parda vive duas décadas, e tem ninhadas com até seis filhotes. Bicho solitário que domina áreas de até 100 quilômetros, ele é atencioso com a prole – depois do nascimento, a fêmea circula com a família até dois anos para ensinar todas as dicas de sobrevivência.