EDITORIAL

Violência contra a mulher

Começam a ser melhor mapeados, os registros sobre o aumento do feminicídio e da violência contra a mulher durante a pandemia. Um das causas do aumento de 22% nos boletins de ocorrência sobre esse tipo de crime seria a convivência familiar surgida com o isolamento social.

A violência contra a mulher atingiu um grau insuportável e foi agravada, desde março, pelas condições dadas aos agressores na quarentena, quando as vítimas ficaram ainda mais vulneráveis. Um projeto em tramitação na Câmara de Mogi das Cruzes, de autoria do presidente da casa, o vereador Sadao Sakai (PL), está propondo novo mecanismo para inibir esse tipo de crime.

A ideia é banir dos concursos públicos, candidatos com histórico de agressões contra a mulher e os filhos – um meio defendido pelo político para penalizar a prática violenta e ainda transmitir a mensagem de que, na cidade, esse tipo de crime não é tolerado.

A proposta está em análise e busca-se hoje ajustes finais, por exemplo, sobre a métrica a ser utilizada para identificar os agressores – serão apenas os condenados, ou os denunciados em boletins de ocorrência?

A Prefeitura é um dos maiores empregadores da cidade, com cerca de 6 mil cargos.

Também nesta semana, uma moção do vereador Iduigues Ferreira Martins pela ampliação dos meios de socorro e atendimento às mulheres agredidas, a partir de campanhas publicitárias sobre como denunciar os transgressores.

Durante a pandemia, muitos movimentos eclodiram e buscam estancar violações de direito por meio da educação, a base de sucesso para toda mudança, e ações diferenciadas, como essa, que pretende impedir o acesso de um homem violente a um trabalho qualificado.

Essa janela combativa está acontecendo para além dos tribunais. Apesar de a lei proteger as mulheres, crianças, negros e pobres, na maioria dos países, a repetição dos crimes específicos contra essas pessoas alcança níveis insuportáveis. A sociedade está buscando respostas que não estão sendo dadas pelo estado, na figura do(a) juiz (a) ou o do delegado (a).

Está na origem dessa mesma discussão, a reação de grandes grupos financeiros que estão se negando a veicular anúncios em redes sociais por causa do descontrole do discurso de ódio e das falsas notícias, práticas que incitam mais violência e causam grandes estragos sociais, como também vimos agora, na pandemia.

A Câmara tem a oportunidade de se engajar ao movimento das mulheres contra o feminicídio, e de propor um basta à violência doméstica se conseguir emplacar a nova ferramenta contra algo que definitivamente não vai bem na cidade – e faz tempo.


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