Visita ao restaurante Xenu

EM LISBOA O atencioso Castro, que serve no Restaurante Xenu (Rua Duque de Palmela, 27- D – Lisboa)

Já faz tempo; faltou-me a oportunidade do tema. Que surgiu há um ano, quando fui ter a um restaurante em Lisboa. Cheguei à cidade passava das 10 da noite, vindo de Milão. Tão logo deixei as malas no hotel, perguntei ao rapaz da recepção onde encontraria um restaurante próximo. Hospedei-me, desta vez, na Praça Marques de Pombal. Ele indicou-me um lugar distante não mais do que um quarteirão e alertou-me para o horário. Sabemos que os restaurantes de Lisboa não ficam abertos até tarde.

Cada vez que chego a Portugal lembro-me de Júlio Simões, o lendário empresário mogiano que chegou, imigrante sem tostão, e ergueu o maior conglomerado de transporte terrestre do País. E o reverencio. Ele morreu em março de 2012. Não nos podemos dizer amigos, embora tenhamos tido muitos em comum.

Mas o reverencio pela quase unanimidade que obteve em Mogi das Cruzes desde que aqui chegou. E foram para mais de 50 anos de vida aqui. A primeira vez que ouvi falar em seu nome eu deveria ter pouco mais de 10 anos de idade e ele, imagino, entrava nos 30. Foi em uma reunião de família e meu tio José Arouche comentou acerca de um imigrante português que trabalha muito. Alguns anos depois, enfim, descobri quem era aquele “imigrante português que trabalha muito”. Caminhava com meu pai e meu tio Oswaldo Ornellas quando os dois o encontraram, próximo à residência da Avenida Pinheiro Franco onde, por muito tempo, Júlio morou com a família. Quando completei 18 anos e ingressei nesta jornada profissional – já se vão 53 anos – passei a acompanhar a sua vida empresarial mais de perto; até por dever jornalístico.

Na primeira passagem pelo Diário de Mogi (1965-1970), por várias vezes o vi na redação do antigo prédio da Barão de Jaceguai, 388. Ele passava ali para dois dedos de prosa com o Tote. Na segunda passagem pelo jornal (1974-1976), agora já no prédio da Ricardo Vilela, 568, continuou a ser uma visita bem-vinda. E eu, então, já podia usufruir do privilégio de compartilhar a prosa. Nesta passagem lembro-me que, por duas vezes, foi destaque na pauta do jornal. A primeira era como personagem em uma série que abordava os imigrantes em Mogi e Elizete Cipolla traçou um irretocável perfil.

A segunda foi quando sugeri a Darwin Valente que o contatasse, para permitir-lhe viajar em um de seus caminhões para uma reportagem a propósito do Dia de São Cristóvão, o padroeiro dos motoristas. E lá foi Darwin para o Rio de Janeiro.

Hoje, quando os mais jovens olham para esse portentoso grupo empresarial que Júlio formou a partir do nada, poucos sabem o quanto lhe exigiu de trabalho, dedicação, mãos na graxa e olhos nas contas. Imagino bem a admiração que lhe tributam os filhos.

Por duas vezes nos cruzamos fora de Mogi. Recordome bem delas: a primeira foi no final da década de 1980, numa sala de embarque do Aeroporto de Guarulhos. Eu ia para os Estados Unidos a trabalho e o empresário seguia para Portugal. Conversamos por alguns minutos até que seu voo foi chamado. A segunda foi cerca de 10 anos depois, no final da década de 1990. Eu comemorava meu aniversário em um restaurante carioca, na companhia de minha mulher Nanci, de minha irmã Mônica e do seu marido Fernando (ele também descendente de portugueses). Em meio ao jantar, minha mulher observou que Júlio Simões ocupava uma das mesas.

O restaurante (Adega do Valentim, que servia um bacalhau impecável) tinha iluminação fraca e uma coluna impedia minha visão. Disse a Nanci que ela estava enganada. Alguns minutos depois ele se levantou para sair e Nanci insistiu. Eu respondilhe: veja como não é ele e falei alto “seo Júlio”. Era: ele se virou e, de pronto, eu me levantei para cumprimentá-lo. Ainda teve a gentileza de me dizer: “Apareça na empresa para um café”. Fiquei devendo-lhe a visita.

Mas, o mote deste texto foi minha passagem por Lisboa. Estive lá no final de férias incríveis, para uma rápida estada que nos permitisse respirar uma vez mais os ares do Tejo; saborear um café em A Brasileira; degustar um vinho no Bairro Alto e caminhar pelas ruas de Évora e Óbidos. Como dizia, aceitei a sugestão do recepcionista do hotel e fui ter ao Restaurante Xenu (Rua Duque de Palmela, 27-D, junto à Praça Marquês de Pombal – fone: 21-357.8406).

Não espere o luxo dos estrelados pelo Guia Michelin, mas tenha a certeza de receber a atenção que caracteriza o português, com uma cozinha correta e serviço impecável. O serviço fica a cargo de Castro, português de sangue puro e que adora a profissão de garçom. Disse ao Castro que ia recomendá-lo a Júlio Simões e até tirei a foto que ilustra este texto, para vocês saberem a quem procurar.

O MELHOR DE MOGI

Três lançamentos literários em uma só semana. Como esta que termina, em Mogi, com autógrafos dos advogados Euclides Ferreira da Silva Júnior e Olavo Câmara.

O PIOR DE MOGI

Gente! O que que é isso? Não me digam que o caos no trânsito da Cidade este mês é só porque autorizaram algumas novas vagas de estacionamento na Rua Coronel Souza Franco. Não acredito!

SER MOGIANO É….

… ter sido freguês do Supermercado Sakoda, na Rua Braz Cubas, onde hoje está a Secretaria Municipal de Agricultura. Foi o primeiro do gênero na Cidade.

CARTA A UM AMIGO

Flâmulas

Meu caro Chico

“E diga o verde-louro desta flâmula paz no futuro e glória no passado”.

As flâmulas são o símbolo de instituições esportivas, estudantis e militares, entre outras. São usadas nos mastros dos navios indicando a presença de um oficial a bordo, em instrumentos musicais das bandas nas apresentações e no início de jogos no futebol, onde há a troca das flâmulas nos cumprimentos entre os capitães dos times.

Na letra do Hino nacional brasileiro representa a nossa bandeira. Era também comum, entre as turmas de formandos nas escolas, enaltecerem o evento através de uma flâmula e ainda forma de arrecadar ‘alguns’ para a festa de formatura.

Apresento aqui, como lembrança, a flâmula comemorativa da minha turma da 4ª série do curso ginasial do Instituto de Educação Dr. Washington Luiz, em 1964, produzida com a colaboração do professor de desenho José de Paiva Andrade.

A entrega dos certificados foi no Itapeti Clube, durante o baile solene abrilhantado pela orquestra de Luiz Arruda Paes. Bons tempos. Carlos Roberto Godoi Cintra e-mail: crgodoicintra@hotmail.com

 

GENTE DE MOGI

ABNEGADO – Dos mogianos de sua geração, foi o que mais defendeu a Cidade. Nasceu no Largo do Bom Jesus e abominava quem o chamasse de “Largo de São Benedito”. Aos 26 anos fundou o Diário de Mogi e, por 61 anos, o dirigiu fazendo do jornal, que sexta-feira celebrou seu 61º aniversário, a tribuna da Cidade. Tote Da San Biagio morreu em outubro de 2015, tinha 83 anos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Flagrante do Século XX

 

QUEM É? Eles estavam entrando na adolescência quando tiraram esta foto, em 1961, no pátio do Colégio do Estado da Rua Coronel Souza Franco (atual Pinacoteca). De pé estão Eduardo Leiteiro, João Luiz, Marquinhos e João Lafuente e, agachados, João Koiti, Mário Portes, Lelo Prieto e Otávio Moreira. Só nos falta a identidade do último, que nem Leo Prieto (detentor da foto) soube decifrar